O japonês que largou a carreira de dentista para fazer comida chinesa

10/05/2013

Em Outubro de 1992 inaugurei a primeira loja ‘China In Box’, no bairro de Moema em São Paulo, com vários diferenciais. Veja no Portal do Franchising

Por Robinson Shiba

Quando eu ainda era um estudante de Odontologia, viajei com um colega de faculdade para os EUA. Fiquei lá trabalhando por um ano inteiro e tive a chance de experimentar vários tipos de comida, desde os famosos hambúrgueres até a comida chinesa que vinha em caixinhas, como nos filmes. A comida chinesa foi uma das opções mais consumidas por mim, já que era uma alternativa barata e nutritiva.

Na minha volta ao Brasil, trouxe a idéia de abrir um delivery de comida chinesa, visto que não existia nada parecido aqui. Mas, meus familiares me convenceram a terminar a faculdade e deixar de lado esta idéia, que inicialmente não pareceu muito atraente. Terminei a faculdade e iniciei a carreira de dentista.

Como dentista, meu sangue empreendedor apareceu de novo e, rapidamente, montei três consultórios populares. Porém, a idéia do delivery de comida chinesa continuava na minha cabeça. Até que em 1992 consegui o apoio financeiro de meu pai, uma vez que as economias não eram suficientes para iniciar o negócio. Fui obrigado a me desfazer de dois dos três consultórios para completar o capital inicial. Ou seja, preservei um dos consultórios para que, se o negócio não fosse adiante, eu pudesse voltar a exercer a minha profissão.

Finalmente, em Outubro de 1992, inaugurei a primeira loja ‘China In Box’, no bairro de Moema em São Paulo, com vários diferenciais:

Folheto colorido com fotos dos pratos: naquela época as pizzarias utilizavam folhetos extremamente simples, sem cores ou fotos;

Embalagem diferenciada: as famosas caixinhas, pois até então os chineses utilizavam as desengonçadas embalagens tipo marmitex para fazer suas entregas;

Logomarca moderna e sem elementos da tradicional cultura chinesa: naquela ocasião existia um grande preconceito de que a cozinha chinesa era suja; sendo assim, adotou-se um certo distanciamento dos elementos tradicionais para caracterizar um novo conceito.

Após o sucesso da primeira loja, inaugurei a segunda um ano depois e mais quatro no ano seguinte, em sociedade com amigos. Nessa época, vários clientes também passaram a se interessar pelo negócio e perguntavam se tratava de uma franquia americana.

Com esta indicação, fui procurar uma consultoria de franquias, que me ajudou a formatar o ‘China In Box’ para expandir através deste sistema. Assim, em 1994, a marca participou da Feira de Franquias da ABF e no ano seguinte teve um crescimento bastante significativo, saltando de 9 para 45 lojas no final de 1995. A partir de então a marca se projetou amplamente na cidade de São Paulo e partiu para os demais estados brasileiros.

Atualmente, a maior dificuldade que tenho enfrentado está relacionada à estagnação da economia brasileira que afetou o movimento do comércio em geral. Para contornar esta situação, venho trabalhando continuamente com diversas promoções e evitando perder o público que teve sua renda reduzida.

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