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Como será o franchising pós-pandemia?

10/07/2020

franchising pós-pandemia

Quem atua no franchising já deve ter percebido o quanto o setor costuma ser resiliente e sobrevive às mais diversas crises que acometem a economia.

Não somos invencíveis, mas somos resistentes.

No franchising a cooperação é a palavra-chave e quando um ganha, todos devem ganhar.

Vimos franqueadoras indo em busca de soluções e negociações que pudessem acomodar melhor as fragilidades expostas pela pandemia, franqueados apoiando os demais da rede com ideias e compartilhamento de experiências, uma necessidade tremenda de ser útil em prol de um bem maior e fazer mais pelos outros.

Em algumas redes ainda existia a divisão clara de atuação unidades próprias x franquias. Algo como nós x eles.

Isso caiu, afinal, de portas fechadas todos têm as mesmas condições.

Com a certeza de estarem lutando contra algo externo, o caminho foi achar alento na confiança mútua e na certeza da transmissão clara das informações e sem rodeios.

Remoto e ativo

Como consequência no pós-pandemia, poderemos ver nas franqueadoras a manutenção do trabalho remoto para as áreas administrativas e de suporte.

Equipes comerciais e de expansão podem também estar menos em campo e mais ativas no ambiente virtual.

A consultoria de campo também passou por um processo de digitalização recorde.

Quem ainda não utilizava plataformas online para aplicação de treinamentos e reuniões remotas com os franqueados se viu obrigado a mudar os quilômetros pelos bytes.

Outro fator importante é a saúde dos pequenos negócios.

Enquanto algumas unidades sofreram para ter caixa e pagar os salários do mês, outras tinham fôlego para aguentar o fechamento das lojas, pagamento de fornecedores e salários por determinado período.

E isso também se traduziu para as franqueadoras como uma necessidade de acompanhamento da gestão financeira das unidades.

No franchising, cada franqueado é responsável pelo seu negócio, mas a franqueadora pode e deve apoiá-lo a se tornar um gestor melhor, oferecendo treinamento e suporte constante para que ele se mantenha saudável mesmo em condições adversas.

Acesso ao crédito e expansão

Os planos agressivos de expansão desenhados em 2019 para 2020 com certeza serão revistos ou totalmente modificados.

Haverá certamente um receio maior dos candidatos à franquia de investir, ainda mais em marcas novas ou desconhecidas.

Em contrapartida, as empresas já consolidadas no setor sairão mais fortalecidas da pandemia.

Com a economia fragilizada, o acesso ao crédito será reduzido e os juros tendem a ser mais altos, o que pode fazer com que os candidatos repensem várias vezes antes de solicitarem crédito para investir num novo negócio.

Do ponto de vista da franqueadora existe o risco de flexibilizar as regras e critérios de entrada de novos franqueados para que facilitar a expansão.

Processo válido, desde que consciente dos riscos que isso traz.

Um franqueado errado é mais prejudicial do que nenhum franqueado e essa flexibilização não pode, de forma alguma, deixar a essência da marca desaparecer.

Valorização do comércio local

É inegável que houve um novo olhar para o comércio local.

O modelo de negócios de franquia passou a ficar mais exposto e a crise acabou acendendo algumas luzes na mente de quem quer empreender.

Franqueadoras ou grupos formados por franqueados multiunidades que estavam mirando a estruturação do negócio para venda para fundos de “private equity” podem se preparar para uma “due dilligence” ainda mais rigorosa, mais focada na saúde dos negócios do que em sua vitalidade momentânea.

Redes ou grupos que saírem dessa crise fortalecidos estarão na mira desses investidores.

Os modelos de negócios

Quando se formata um negócio para expandir com franquias, a ideia é criar um padrão que possa ser reconhecido em qualquer lugar do mundo, proporcionando a mesma experiência de marca a cada contato.

No entanto, vemos a possibilidade de o sistema flexibilizar os padrões das unidades – com a inclusão de características locais no formato global.

Não a ponto de descaracterizar e colocar em xeque a consistência da marca, mas com uma dosagem suficiente para fazer com que o consumidor local se sinta parte da cultura do negócio.

E por falar em comportamento, os benefícios da integração de canais – físico e digital – ficaram claros a todos e a integração das lojas franqueadas no processo logístico começou a fazer sentido para as marcas.

Afinal, por que não reduzir o tempo de entrega e ampliar a receita dos franqueados usando as unidades franqueadas como centros de distribuição para a última milha?

E finalmente a retomada

Black Friday todo dia?

Não podemos considerar que apenas as liquidações trarão os clientes de volta para as lojas.

Todo o protocolo de segurança será válido para fazer com que o consumidor se sinta seguro em voltar a frequentar o varejo físico, não apenas do ponto de vista do valor pago por determinado produto ou serviço, mas até da segurança emocional proporcionada e constantemente reforçada pelas equipes da loja.

Treinar o time de linha de frente sobre como receber as pessoas nessa fase inicial é fundamental.

*Por Lyana Bittencourt, diretora executiva do Grupo BITTENCOURT – consultoria especializada em desenvolvimento, expansão e gestão de redes de franquias e negócios

Sobre o Grupo BITTENCOURT

Consultoria com mais de 3 décadas de mercado especializada no desenvolvimento, gestão e expansão de negócios.

O grupo foi fundado por Claudia Bittencourt, com o objetivo inicial de promover o crescimento de redes de negócios e franquias.

Hoje consolidada como uma plataforma de produtos e serviços diversos, atua junto à indústria e ao varejo como um dos maiores especialistas em expansão de negócios em diversos segmentos.

Entre os cases de sucesso do Grupo estão serviços para marcas como Havaianas, Cacau Show, Reserva, Adidas, Avon entre outros players.

 


 

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