Quem aposta só nas capitais perde o eixo lucrativo das franquias

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Quem ainda aposta só nas capitais está perdendo o eixo mais lucrativo das franquias

07/01/2026

Global Franchise

A interiorização do franchising brasileiro passou a ser vista como uma das transformações estruturais mais relevantes do setor.

Por muitos anos, a expansão esteve concentrada nas grandes capitais, mas esse modelo começa a perder força diante de um país cuja dinâmica econômica se desloca para cidades de médio porte.

O crescimento mais sólido e sustentável está emergindo fora das metrópoles, impulsionado por mudanças culturais, tecnológicas e demográficas.

A movimentação das redes para o interior revela não apenas uma nova geografia de consumo, mas também uma mudança de mentalidade no próprio setor.

Esse deslocamento encontra respaldo em dados recentes da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que registrou crescimento superior a 12% no número de unidades instaladas em cidades entre 100 e 500 mil habitantes em 2024, ritmo acima das grandes capitais.

Com esse movimento já quantificado, observa-se que as redes que priorizaram esses municípios alcançaram desempenho superior de forma consistente.

O caso da Oakberry ilustra essa força: cidades como Maringá, Rondonópolis e Petrolina tornaram-se líderes de faturamento regional, com margens acima das registradas em mercados saturados como São Paulo e Rio.

Essa tendência reforça que rentabilidade, estabilidade operacional e fidelização são mais facilmente alcançadas quando a presença física da marca atende um público menos disperso e mais engajado.

A mudança, no entanto, não se explica apenas pela ausência de concorrência.

O consumidor do interior foi acelerado pela digitalização pós-pandemia.

Segundo o IBGE, mais de 91% da população brasileira tem acesso à internet, índice que reduziu drasticamente a diferença entre interior e capitais.

Estudos do Datareportal de 2025 mostram que cidades como Cascavel, Uberaba e Mossoró figuram entre os polos com maior adesão ao e-commerce e ao delivery proporcionais à população.

A expansão de plataformas digitais equiparou expectativas e fez com que a exigência por marcas relevantes, serviços rápidos e experiências de qualidade se aproximasse da vivenciada em áreas metropolitanas.

Como resultado, redes que antes ignoravam cidades médias passaram a tratá-las como prioridade estratégica.

Ainda assim, objeções persistem.

É comum ser argumentado que mercados interioranos apresentam limitações por dependerem de um fluxo menor e de menor diversidade de perfis de consumo.

No entanto, esse argumento tem sido enfraquecido pelos indicadores operacionais.

Aluguéis podem ser até 60% mais baixos, de acordo com levantamentos do Secovi-SP, e a rotatividade significativamente inferior, somada aos custos fixos reduzidos, compensa eventuais limitações de volume.

Além disso, a presença de polos educacionais, hospitais regionais e shoppings consolidados expandiu o poder de compra e atraiu marcas com foco em conveniência.

Redes como O Boticário, Cacau Show e Chiquinho Sorvetes construíram parte relevante de seu domínio nacional justamente em cidades médias, comprovando que interiorização não é exceção, mas uma engrenagem comprovadamente lucrativa.

Outro ponto que fortalece essa tendência é o perfil do franqueado interiorano, que costuma atuar como operador direto da unidade.

Pesquisas da ABF mostram que 63% dos franqueados em cidades menores estão à frente do dia a dia do negócio, enquanto nas capitais predomina o investidor ausente.

Essa diferença impacta o diretamente o desempenho, onde operações conduzidas pelo proprietário tendem a apresentar menores índices de erro, maior engajamento da equipe e maior aproximação com a comunidade local.

Para especialistas, esse protagonismo exige das franqueadoras uma postura mais humana e adaptativa, com suporte ativo e sensibilidade regional.

A capacidade de ajustar campanhas, formatos de loja e modelos de atendimento torna-se decisiva para criar redes mais sólidas e escaláveis.

Microfranquias e modelos híbridos também vêm acelerando essa interiorização.

Investimentos mais acessíveis, operações compactas e integração entre loja física e atendimento digital ampliaram o alcance de marcas que antes dependiam de mercados de alto fluxo.

Segundo a ABF, modelos abaixo de R$ 120 mil cresceram 18% em 2024, com forte adesão em cidades médias.

Tem sido defendido por especialistas que a próxima onda de expansão será guiada menos pelo tamanho da cidade e mais pela adaptabilidade do formato.

Conclui-se, portanto, que o novo mapa do franchising brasileiro está sendo redesenhado por fatores que vão muito além da geografia.

O crescimento do interior se sustenta em dados, comportamento e maturidade empresarial.

Redes que insistirem em disputar pontos saturados nas capitais estarão competindo por centímetros, enquanto aquelas que compreenderem a potência interiorana estarão conquistando quilômetros de vantagem.

A interiorização deixa de ser tendência e passa a ser necessidade estratégica para quem busca crescimento sustentável e relevância nacional.

A liderança do próximo ciclo de expansão caberá às marcas que souberem equilibrar padronização com respeito ao território, transformando diversidade regional em força competitiva.

 

*Por Artur Larangeira, COO da Global Franchise, diretor comercial e atua há mais de 15 anos no mercado de franchising, contribuindo diretamente para a expansão e consolidação de marcas em diferentes segmentos.

 

Fonte: Mention

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