A vez das microfranquias de cosméticos

10/08/2017

Não é de hoje que o mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos está profundamente ligado ao setor de franquias no Brasil. Quando este segmento começou a se consolidar por aqui, em meados dos anos 1980 (época em que ainda era chamado pelo termo em inglês, franchising), algumas marcas de HPPC tiveram extrema importância em […]

Não é de hoje que o mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos está profundamente ligado ao setor de franquias no Brasil. Quando este segmento começou a se consolidar por aqui, em meados dos anos 1980 (época em que ainda era chamado pelo termo em inglês, franchising), algumas marcas de HPPC tiveram extrema importância em sua consolidação, ao lado de setores extremamente ligados ao modelo, como escolas de idiomas e redes de alimentação.

No primeiro trimestre deste ano, o segmento que contempla as redes de franquia de HPPC foi o segundo com maior crescimento entre os diversos perfis de franquia, tanto em faturamento como em número de unidades. Ao todo, o setor movimentou R$ 6,9 bilhões apenas nos três primeiros meses de 2017, valor que representa 18,7% do total de receitas das franquias no País. “É inquestionável a importância que o segmento de HPPC tem para este modelo de negócio. Basta levar em conta que a maior rede de franquias do Brasil é uma representante do segmento”, diz Rodrigo Morgan, consultor especializado em franquia.

Franquias de bolso

A novidade é a força que as empresas de cosméticos vêm ganhando no  segmento das microfranquias, que demandam menor investimento e possuem uma operação simplificada em comparação às unidades das franquias tradicionais.

 

Para Celso Mariante, de 51 anos, microfranqueado de uma rede de perfumarias em Porto Alegre, a grande vantagem da união do setor de HPPC com o modelo de microfranquias é que a facilidade de operação possibilita ganhos maiores em um setor dificilmente afetado pela crise. “Antes de ser microfranqueado na área de HPPC, trabalhei no setor de alimentação”, diz Mariante. “Fiz essa transição por acreditar que, assim, estaria muito mais imune às variações da economia, já que as pessoas deixam de comer fora, mas não deixam de investir na autoestima.”

Baixo investimento

Segundo a definição da Associação Brasileira de Franchising (ABF), podem ser consideradas microfranquias unidades cujo investimento seja inferior a R$ 90 mil – enquanto unidades do modelo tradicional de franquias dificilmente têm custo de implementação inferior a R$ 400 mil. Por isso, esse modelo de negócio acaba sendo uma alternativa mais acessível para quem deseja ter um negócio próprio. Há casos em que as microfranquias custam cerca de R$ 10 mil e podem ser operadas no sistema de home office.

Foi isto que chamou a atenção de Lucas Ducatti, 30 anos, microfranqueado de uma rede de cosméticos e perfumaria em São Bernardo do Campo. Na época em que conheceu a empresa com a qual trabalha, Ducatti estava em busca de um negócio próprio, mas que coubesse em seu bolso. “Enquanto pesquisava, descobri que esse era um setor seguro e passei a buscar opções de baixo investimento”, diz Ducatti. “No fim, realizei o sonho de me tornar meu próprio chefe e ainda consegui uma boa flexibilidade de horário de trabalho.”

O segmento de HPPC tem se beneficiado dessa nova tendência de diversas formas. Por um lado, ganham impulso as microfranquias de serviços, como manicures e esteticistas, que utilizam os produtos como matéria-prima fundamental. Por outro, as vendas de produtos, como no caso de Mariane e Ducatti, também começam a receber bastante destaque no setor.

Vantagens

Além do custo mais baixo, a operação no sistema de microfranquias traz vantagens como o fato de poder ser tocada diretamente de casa ou até no modelo porta a porta. “Uma vantagem que diz respeito às franquias como um todo é o fato de ter uma empresa que ajuda a impulsionar a marca e que transfere para o franqueado todo o know–how de gestão necessário para aquele modelo de negócio”, diz Ana Vecchi, consultora especializada em modelos de negócio e franquias. Assim, é missão da empresa franqueadora ensinar para os franqueados e seus funcionários as melhores práticas de prospecção, venda, entrega e quaisquer outros pontos que digam respeito ao dia a dia do negócio.

Garantir que isso aconteça, aliás, é um dos aspectos mais importantes na hora de se juntar a uma rede (veja no quadro abaixo os principais pontos de atenção na escolha de uma microfranquia). Também é preciso analisar a proposta com muito cuidado, para ver quais são os pontos que podem causar problemas no futuro. “É preciso ter em mente que, por mais que seja um negócio de baixo investimento, ele não é isento de risco”, afirma Ana.

Futuro

Com os devidos cuidados, porém, o investimento em microfranquias tem se mostrado uma forma interessante para a geração de renda, especialmente em um momento de desemprego em alta como o vivido atualmente no Brasil. Segundo um mapeamento realizado recentemente pela ABF com as empresas de microfranquia, o pró-labore dos microfranqueados está na média de R$ 3,8 mil. Em 25% dos casos, o valor ultrapassa a marca de R$ 5 mil.

Com a consolidação da importância do setor de HPPC no mercado de microfranquias, mais uma vez as empresas do setor desempenharão papel fundamental para a ampliação da renda no País, como já acontece, por exemplo, com o segmento de vendas diretas.

Como escolher uma boa microfranquia?

PESQUISE – O primeiro passo é fazer ampla pesquisa sobre as opções existentes no mercado. Com a expansão dos setores de franquia e de HPPC, há boas opções para os mais diversos bolsos e perfis.

CONHEÇA – Entre em contato com a franqueadora e procure conhecer em detalhes a proposta. Analisar aspectos como tempo de retorno do investimento e custos existentes ao longo da operação são fundamentais para evitar surpresas desagradáveis no futuro.

ENTREVISTE – Nunca se contente apenas com o que diz o franqueador. Busque alguns franqueados e converse sobre o negócio. Muitas vezes eles vão revelar coisas importantes, como a dificuldade de encontrar mão de obra para aquele tipo de serviço ou problemas estruturais, como falta de treinamento ou marketing por parte da marca.

PÉS NO CHÃO – Quando se deparar com microfranquias que vendem o negócio como se fosse um mundo de facilidade, acenda o sinal amarelo. Não existem fórmulas mágicas para fazer dinheiro e todo negócio tem o risco de não dar certo. Um bom franqueador deixa tudo isso bem claro.

 

Estadão – Redação – 07/08/2017

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