Resiliência para poder virar o jogo

10/10/2017

Valor Econômico – Katia Simões – 5 de outubro de 2017 Inovação é a palavra chave, mas não a única, para quem quer empreender com sucesso. Resiliência, bom planejamento, gestão profissional, análise de mercado, um time competente e multidisciplinar, além de fôlego financeiro são itens que devem passar da teoria à prática. Andrea Lopes tinha […]

Valor Econômico – Katia Simões – 5 de outubro de 2017

Inovação é a palavra chave, mas não a única, para quem quer empreender com sucesso. Resiliência, bom planejamento, gestão profissional, análise de mercado, um time competente e multidisciplinar, além de fôlego financeiro são itens que devem passar da teoria à prática. Andrea Lopes tinha essa ciência quando iniciou um processo de coaching de empreendedorismo em 2011. Ali nasceu a ideia de abrir um museu voltado para o público infantil, algo inédito no Brasil, mas bem conhecido no exterior. “Foram três anos de trabalho e um investimento de R$ 3 milhões”, diz Andrea. Em meados de 2016 as obras chegaram a parar por conta da crise. “Fomos atrás de parcerias, pois as pesquisas indicavam que as famílias estavam cortando tudo, mas não o lazer dos filhos agregado à cultura.”

Entre o que as pesquisas apontavam e a realidade havia um hiato, que exigiu rever o lançamento do negócio, enxugar custos e equipes. “Quem nasce na crise aprende a tirar leite de pedra”, afirma Andrea. “O nosso negócio tem um impacto social, o que nos ajudou a atrair talentos com salários menores.” O Museu da Imaginação abriu as portas em São Paulo, há um ano, e se prepara para faturar R$ 1 milhão em 2018.

Segundo Letícia Menegon, coordenadora do Centro de Empreendedorismo da ESPM, negócios que nascem com um propósito claro atraem não só bons talentos para a equipe, como ganham a preferência dos novos consumidores. “Os milleniuns estão mudando a forma de consumir produtos e serviços, quem ignorar isso não terá chances de sobreviver”, diz.

“Outro erro é acreditar que só porque está investindo nas novas tendências do mercado, como comida saudável e economia compartilhada, o tiro acertará o alvo.”

Com a experiência de 30 anos nos negócios da família e a certeza da lição de casa bem feita, Germano Opptiz abriu em 2015, o Verd&Co, espaço de alimentação saudável com foco na comida pronta para levar. “As pesquisas diziam que Curitiba estava pronta para assimilar a tendência do ‘to go’, já forte na Europa e nos Estados Unidos”, diz o empresário. “Mas não. Abri para faturar R$ 4 mil por dia no ponto de equilíbrio e não passava de R$ 500.”

A saída foi transformar o ‘to go’ em uma das opções e trabalhar o espaço como um bistrô de comida saudável com cardápio completo. A virada deu certo. Hoje, o Verd&Co recebe uma média de 200 clientes por dia, o que garante um movimento diário da ordem de R$ 8 mil. Em 2018, a meta é expandir via franquias.

Com resultados que minimizam os riscos e enchem os olhos de quem quer começar com o aval de uma marca conhecida no mercado, o franchising tende a ser a aposta de um número cada vez maior de pessoas em tempos de crise. “Com mais gente com o dinheiro da indenização nas mãos, o número de candidatos aumenta para as franquias de baixo investimento, mas a curva de exigência das marcas na escolha de novos parceiros também sobe”, afirma Altino Cristofoletti, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF). “Também cresce o número de empresas dispostas a expandir via franquias, mas nem todas conseguem.”

Entre 2015 e 2016 entraram para o sistema de franquia 560 novas marcas. Algumas ficaram pelo caminho. Em 2015 havia um total de 3.300, e ao final de 2017, segundo a ABF, serão cerca de 2.900. “Em tempos de crise, as franqueadoras têm de investir ainda mais no trabalho de capacitação e na facilidade de operação na rede”, diz.

Henrique Mol, do grupo Encontre Sua Franquia, com quatro marcas sob o seu guarda-chuva, sabe o peso dessa necessidade. Em 2014, abriu a primeira unidade da Fórmula Pizzaria, em Belo Horizonte, um modelo de fácil operação e baixo investimento. “O empreendedor por necessidade muitas vezes não está capacitado para assumir o negócio”, afirma Mol. “Daí a importância de trabalhar sob um filtro rigoroso de seleção e deixar na mão da franqueadora a parte mais complexa da operação.” A Fórmula conta com uma central única de atendimento, uma cozinha industrial de onde saem já porcionados molhos, massas e frios. A primeira franquia foi aberta em 2016. Hoje, são 17 unidades e até dezembro chegará a 30, com um faturamento de R$ 5 milhões.

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