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Não é hora de demitir, é hora de inovar!

08/04/2020

Por Marlin Kohlrausch, presidente do conselho da Calçados Bibi e autor do livro “A construção de uma marca com propósito”

Estamos vivendo a 3ª Guerra Mundial. Ela é diferente de tudo que imaginávamos.

As batalhas dessa guerra não têm armas, bombas ou tecnologia nuclear, nada disso.

O inimigo é um só e, praticamente, invisível.

Estamos lutando contra a Covid-19, causador da doença conhecida como Coronavírus.

Rapidamente, essa luta se tornou global.

Governos, empresas e cidadãos estão atordoados, pois sem precedentes desta magnitude, não têm a experiência necessária para embasar suas atitudes.

Mesmo em proporções diferentes, eu que tenho 70 anos e já vivi muita coisa, posso me valer da minha vivência para enfrentar essa situação, ainda que seja desconhecida.

Em momentos como esse, a maioria sai perdendo e poucos ganham.

Não é hora de apontar culpados e se deixar levar pelo jogo do empurra-empurra.

Exatamente quando a instabilidade financeira e emocional atinge em cheio uma empresa é que temos a oportunidade de saber qual é o seu verdadeiro propósito.

Fica evidente se realmente o propósito das organizações é “pra valer” ou é mais um discurso vazio, enquadrado na parede.

Diante do isolamento social e da velocidade e eficiência exigidas, primeiramente pelas empresas do setor da saúde, governos e setor produtivo de forma geral, acredito que estamos diante do cenário propício para o surgimento de inovações importantes em todos os campos: processos, serviços e produtos.

Trazendo essa reflexão para o ambiente corporativo, não é hora de demitir!

Não é hora de comprometer a cadeia de fornecedores.

É hora sim de colocar a inovação em prática, ou seja, de executar novos modelos de forma rápida.

Ao mesmo tempo, a falta de resultado de uma organização machuca, porém a falta de caixa mata.

Para que tudo isso aconteça é necessário garantir o caixa e, para tanto, praticar o bom senso.

Foco nas pessoas e nos clientes.

Que mudanças essa crise provocará no cidadão/consumidor de amanhã?

O que podemos fazer para atender suas novas expectativas e/ou necessidades.

O que será importante para ele?

Haverá, sem dúvida, uma demanda reprimida após o caos instalado.

Que demanda será essa?

Antecipar-se ao cliente e entregar valor será sempre o melhor caminho para a retomada.

Seja por meio de novos processos, serviços ou produtos.

Por exemplo, não restará mais dúvida sobre o crescimento e a importância de processos digitais e de análise de dados, que resultem em avaliação e implementação rápidas.

Nesse cenário, cabe ao líder repactuar a confiança de todos os envolvidos: colaboradores, clientes, franqueados, fornecedores, parceiros e comunidade.

Com transparência e crença no propósito de cada marca é que se volta ao equilíbrio e se prepara as empresas para o futuro, seja lá qual for.

Porém, primeiro é preciso encarar as dificuldades e entender como cada um de nós pode contribuir para minimizar o caos.

Na emergência é que a cidadania corporativa e a solidariedade se fazem ainda mais necessárias.

Mais uma vez, é responsabilidade do líder a visão do futuro.

Não apenas de seu negócio, mas da sua comunidade e do planeta.

Não é fácil controlar as emoções, mas minha recomendação é afastar a irracionalidade que tomou conta das últimas semanas e buscar sempre a coerência com o propósito individual e da cada corporação.

É no propósito que estará o caminho para as respostas mais difíceis.

Sobre Marlin Kohrausch:
Calçados BibiMarlin Kohlrausch é administrador de empresas, com vários cursos de extensão nas áreas de marketing, administração financeira e recursos humanos.

Presidiu a Calçados Bibi de 1986 até abril de 2019, quando a empresa completou 70 anos e teve a presidência assumida por uma de suas filhas.

Líder no país do segmento de calçados para crianças e adolescentes, a empresa exporta para os cinco continentes, em mais de 70 países a marca Bibi, com tecnologia e design local.

É autor de cinco livros publicados pela Editora Gente.

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