Franquias que cabem em uma mala ganham espaço na crise

10/08/2017

A Tarde – *Mila Cordeiro – 06/08/2017 O mercado de franquias tem atraído muitos empreendedores. O setor cresce uma média de 8,7% ao ano, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Um mercado que tem se mostrado como uma opção para quem deseja se tornar franqueado, mas não tem muito capital, são as microfranquias, que […]

A Tarde – *Mila Cordeiro – 06/08/2017

O mercado de franquias tem atraído muitos empreendedores. O setor cresce uma média de 8,7% ao ano, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Um mercado que tem se mostrado como uma opção para quem deseja se tornar franqueado, mas não tem muito capital, são as microfranquias, que têm apostado em formatos de venda direta, com a proposta de “caber numa mala”.

Para Leonardo Lamartine, presidente regional da ABF no Nordeste, esse tipo de franquia é uma boa opção para quem está sofrendo os efeitos da crise, sobretudo pela simplicidade de seu funcionamento: “Quanto mais simples a operação e mais baixo o investimento, como no caso dessas franquias, maior a procura”.

Essa simplicidade é possível pela falta de uma loja física. O franqueado ou franqueada pode estocar os produtos e operar boa parte do negócio em casa, e sair apenas para visitar clientes. A Quinta Valentina, franquia de venda de calçados femininos, resolveu apostar no formato após sua própria experiência com uma loja física em Goiânia.

“Percebemos uma demanda de clientes que não tinham tempo de ir à loja, ou queriam experimentar os sapatos em casa com mais calma”, conta Renato Kuyumjian, sócio da empresa. A loja fechou seu espaço em 2014 e estruturou um modelo de franquia de vendas diretas. “Por não termos um ponto físico, que tem custos altíssimos, conseguimos preços mais competitivos”, diz.

A franquia opera desde 2015 e já conta com 285 franqueados no país. Uma delas é Juliana Ganen, que passou a ser franqueada após ser desligada de um emprego de 14 anos na área de informática. “Já estava insatisfeita e procurando uma franquia em que pudesse trabalhar em casa e fazer meu horário”, conta.

Juliana passa boa parte de seu tempo em casa e utiliza estratégias de marketing digital para promover seu trabalho: “Faço parcerias com blogueiras e influenciadoras digitais para ganhar visibilidade”. Ela percebeu nas vendas diretas uma possibilidade de atingir melhor seu público-alvo: “Consigo criar um relacionamento com as clientes, conhecer suas dores e oferecer um atendimento mais personalizado”, explica.

A personalização da compra também é uma estratégia utilizada pela Cooper Kap, franquia que trabalha com tapetes e carpetes personalizados para empresas. A empresa foca em pequenos negócios, como padarias, lojas e pequenos mercados, e vê no sistema de venda porta a porta uma forma de atrair mais clientes.

“A venda porta a porta atinge um cliente que não está procurando por aquele produto, e nem sabia que precisava dele. Meu vendedor não sai na rua sem vender”, conta Francisco Tramujas, gestor da Cooper Kap. A franquia já cresceu 30% este ano em relação ao ano passado e atrai profissionais de diversos setores.

“O período de crise abriu uma janela para a gente: tem muita gente boa com perfil comercial que perdeu o emprego ou estava travada em um modelo de negócio limitado”, diz Francisco. Por ser um modelo onde o franqueado faz o próprio horário, ele também atrai pessoas que não querem deixar o emprego atual.

Esse é o caso de Layla Porto, franqueada da Cooper Kap desde fevereiro. Ela trabalha como representante comercial para uma distribuidora de materiais de limpeza e higiene e aproveitou a própria cartela de clientes para apostar na franquia: “A crise afetou meu trabalho. Nessa época não dá para ter só uma fonte de renda, e hoje faturo mais com a franquia”, conta.

Layla é formada em administração e já trabalhou em diversos setores. Para ela, trabalhar com vendas possibilita que faça os próprios horários: “Já trabalhei em escritórios e isso segurava todo o meu tempo. Com vendas, tenho mais flexibilidade e posso passar mais tempo com minha filha”, compara.

Setor de serviços

Para quem não quer trabalhar com vendas, o modelo de franquia “cabe numa mala” também comporta o setor de serviços. É o caso da franquia iGUi Trata Bem, que oferece serviços de manutenção para piscinas. A iGUi já trabalha com lojas de piscinas há mais de 20 anos, lançou a microfranquia de manutenção em 2012.

 

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Alessandra Luchi, diretora da Trata Bem, lembra que o serviço porta a porta não necessariamente significa que o franqueado precisa trabalhar sozinho: “Temos franqueados que têm uma habilidade para gerir pessoas e têm dois ou três funcionários”, diz. “Nós incentivamos que o franqueado tenha um plano e aumente seus investimentos gradativamente”, completa Alessandra.

*Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

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