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De quase falência a liderança do segmento no Nordeste, rede investiu em tecnologia e gestão através de Junior Farias, atual CEO da marca
O último episódio de “Olhar do Dono”, programa comandado por Caito Maia — fundador da Chilli Beans — trouxe como convidado Junior Farias, CEO da Mercadótica, maior rede de óticas da Bahia.
Ao longo da conversa, Júnior revelou uma trajetória que envolve crise, ruptura e reinvenção: a empresa, fundada pelo seu pai há mais de três décadas, chegou a quebrar em 2006 por falta de gestão, controle financeiro e uso de tecnologia.
Segundo ele, o negócio operava sem controle de estoque, fluxo de caixa ou indicadores de desempenho, o que tornava impossível prever riscos, corrigir erros e sustentar o crescimento.
“A gente vendia bem, mas não sabia se ganhava dinheiro.
Era como dirigir de olhos fechados”, conta.
O cenário levou ao acúmulo de dívidas e à falência — um ponto crítico que obrigou a família a rever o futuro da operação.
A reviravolta veio quando Júnior assumiu a gestão e iniciou um processo de reconstrução.
“Eu precisei começar do zero, entendendo o básico: quanto entra, quanto sai, onde se perde dinheiro”, afirma.
A transformação começou com a implantação de sistemas de gestão, padronização de processos, rastreamento de estoques e análise de dados para orientar compras e vendas.
As medidas foram decisivas: todas as dívidas foram quitadas em 2008 e, com o negócio reorganizado, a Mercadótica passou a operar por meio de franquias — modelo que permitiu escalar a operação sem perder o controle e a qualidade.
“Crescer sem método é fácil, mas é justamente isso que leva a empresa a quebrar. A franquia foi nossa estratégia para crescer com disciplina”, ressalta.
Hoje, a rede soma 43 unidades e se consolidou como a maior operação do segmento no Nordeste, com presença em diferentes cidades e performance acima da média.
Para Júnior, a profissionalização é o que sustenta o resultado:
“Tecnologia não é luxo, é sobrevivência.
Não existe varejo moderno sem dados, sem processo e sem indicadores”.
Além de contar a história, o episódio também discute o impacto da tecnologia no varejo, especialmente em mercados tradicionais.
Para Junior, eficiência operacional é uma vantagem competitiva cada vez mais relevante:
“A gente vende óculos, mas o que sustenta a operação é o processo.
O produto é consequência de uma engrenagem que precisa funcionar todos os dias”.
Para Caito, a jornada da Mercadótica reforça uma lição recorrente na série: pequenos negócios não quebram por falta de produto, e sim por falta de gestão.
“O Junior fez o que poucos fazem: encarou os números, encarou a dívida e reconstruiu o negócio com base em método”, comenta no episódio.
Com mais de 30 anos de estrada, uma crise no passado e resultados sólidos no presente, a Mercadótica mostra que gestão e tecnologia não são tendências, mas requisitos para sobrevivência e escala.
Como resume Junior, “o que salvou a empresa não foi sorte, foi método. E o método é repetição — todos os dias, em todas as lojas”.
Fonte: MercadoCom