Vale a pena abrir uma loja em um shopping?

08/06/2017

Gestão & Negócios –Marcelo Casagrande – 30/05 O número de shoppings no Brasil subiu quase 50% em uma década. Especialistas esclarecem se o investimento vale a pena para pequenos lojistas Os números são grandiosos e mostram a força do setor de shoppings no Brasil. Em 2016, mais de um milhão de trabalhadores fizeram parte das equipes de trabalhos […]

abrir uma loja em um shopping

Gestão & Negócios –Marcelo Casagrande – 30/05

O número de shoppings no Brasil subiu quase 50% em uma década. Especialistas esclarecem se o investimento vale a pena para pequenos lojistas

Os números são grandiosos e mostram a força do setor de shoppings no Brasil. Em 2016, mais de um milhão de trabalhadores fizeram parte das equipes de trabalhos de empresas instaladas nos centros de compras. Atualmente, 558 shoppings estão em operação no País e, juntos, faturaram R$157,9 bilhões no ano passado. A crise, claro, também afetou o segmento, afinal, a média mensal de pessoas que visitam os shoppings caiu de 444 milhões em 2015 para 439 milhões em 2016. Mas isso não quer dizer que o faturamento tenha caído, pelo contrário, cresceu 4,3% no mesmo período. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, os espaços têm se tornado cada vez mais uma área de conveniência para os consumidores, e não somente centros de compras, por isso o mix de lojas e serviços está cada vez mais amplo.

“Os shoppings estão abrigando diversos tipos de operação e todas têm o perfil para serem bem-sucedidas, devido à demanda cada vez maior”, defende Humai. Segundo os resultados da pesquisa “Perfil do Frequentador de Shopping Centers”, da Abrasce, as principais motivações das idas aos shoppings são as compras, diversão, socialização, informação e solução de problemas. “O comportamento do consumidor mudou, por isso, tem aumentado o número de operações que são ligadas ao serviço. Lavanderias, academias, pet shops e salões de cabelereiros estão em alta e podem ser bons investimentos”, revela o especialistaem varejo Douglas Santinelli.

A disponibilidade das lojas fica a critério de quem aluga o espaço


É SEU PERFIL?

Quem pensa em abrir uma loja em shopping precisa ter bem definidos os planos para o negócio. É preciso saber se a operação tem potencial para estar em um shopping e se o seu público estará naquele lugar. “A análise deve levarem conta se o ticket médio do seu mix de produtos está dentro do poder de comprado frequentador do shopping. Não adianta abrir um restaurante com cardápio caro e refinado se o perfil do cliente é o que faz compras rápidas por estar depassagem”, exemplifica Santinelli ao se referir a um shopping que tem ligação direta com uma estação do metrô.

O exemplo do especialista é apenas um questionamento que deve ser feito. Outra pergunta que precisa de resposta é em relação às operações concorrentes dentro do mesmo shopping. “Ter várias lojas de eletrônicos em um mesmo shopping é normal e permite que a escolha seja feita pelo cliente, mas um mesmo empreendimento não suporta, por exemplo, uma dezena de lojas que vendem brigadeiros”, pontua o especialista que vai além: “A concorrência interna deve existir, desde que se tenha mercado para isso”.

ENTENDENDO O PROCESSO

O processo para a abertura de uma loja não é dos mais complexos e pode variar de shopping para shopping, mas, de maneira geral, a primeira etapa é a negociação comercial entre a empresa responsável pela comercialização e o interessado na operação. “Os dois lados têm interesses que precisam ser atendidos. O shopping quer operações que agregue mao mix e atraiam clientes, e o lojista quer faturar para pagar as contas”, comenta Santinelli. Fique atento às taxas cobradas. Se por um lado uma loja de rua tem IPTU e aluguel, por outro, uma loja de shopping tem o aluguel, o condomínio e o fundo de promoção que é usado para a divulgação do espaço. Acaba saindo mais caro.

“Cuidado com os pontos que têm menos movimento e ficam afastados dos corredores principais. Eles são mais baratos, mas podem representar vendas menores”, alerta o especialista. Depois de acertada a negociação, ocontrato é assinado. Leia atentamente as regras sobre desocupação, cláusulas de exclusividade e obrigações de operação para que depois não enfrente problemas com a administradora. Na sequência, vem a apresentação do projeto completo. “Os shoppings exigem projetos técnicos e arquitetônicos para evitar problemas de segurança. Sem isso, o início da operação fica prejudicado”. Com tudo aprovado, é só começar as obras e seguiro passo a passo até a inauguração.

TEMPO DE PERMANÊNCIA

Em média, cada pessoa costuma ficar 76 minutos dentro de um shopping. Para tentar aumentar essa permanência – e, consequentemente, as chances de consumo – os shoppings estão criando ações mais personalizadas para os consumidores, sempre pensando em melhorar a experiência pelo tempo que passam dentro do estabelecimento. “O setor está atento às tendências do mercado em geral e mapeia ações para agradar e fidelizar os clientes, como as oficinas de culinária para crianças e adultos, além deatividades de bemestar”, afirma GlaucoHumai, da Abrasce.

INTERIOR

Atualmente, 53% dos shoppings brasileiros estão fora das capitais. É a força do interior do País que representa oportunidades de negócio. Esse cenário está ligado, entre outros motivos, ao fato de que os custos para aquisição de terrenos são bem menores. Além disso, a construção é mais barata, a obtenção de licenças de funcionamento é mais fácil e a concorrência é menor.

Características que fizeram com que Araçatuba/SP, no noroeste paulista, recebesse em 2014 investimento para a construção do Shopping Praça Nova. Construído em uma área de 39 mil metros quadrados, o empreendimento tem 162 lojas distribuídas em dois andares. Atualmente, lojas âncoras, como Riachuelo, Renner, Lojas Americanas e Casas Bahia, e megalojas como Kalunga estão no mix de operações. Mas por estar a mais de 540 quilômetros da capital do estado, o Praça Nova também abre espaço para lojas da cidade e da região.

Segundo a gerente geral do Shopping Praça Nova Araçatuba, Andréa Bacalão, existem lojistas, inclusive, que abriram a primeira unidade no empreendimento. “Nosso objetivo com essa variedade é balancear as operações e equilibrar o empreendimento, oferecendo opções para diversos tipos de público”, acrescenta a executiva. O shopping – que recebe cerca de 200mil pessoas por mês – se divide entre Praça de Alimentação e demais operações.

Dentro dessas duas áreas, o lojista é livre para escolher o melhor local, de acordo com o perfil da loja, público alvo e capacidade de investimento. Como complemento, o shopping permite operações– a maioria temporárias – no formato de quiosques. “A rotatividade dos quiosques traz a renovação que os clientes procuram, e para os lojistas é a oportunidade de atrair o público que está em movimento, circulando pelos corredores”, comenta Andréa.

TERRENO FÉRTIL

Basta dar uma volta na maioria dos shoppings do Brasil para perceber que diversas operações são de redes conhecidas pelo grande público. É que muitas franquias escolhem os centros de compras para abrir unidades. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o shopping é o segundo local mais procurado pelas redes, ficando atrás apenas das lojas de rua. Para se ter ideia, 17% de todas as unidades franqueadas brasileiras estão em shoppings. São vários fatores que colaboram para esse fenômeno. O grande fluxo de pessoas, horário estendido de funcionamento e a segurança da área particular fazem as redes crescerem os olhos. É o caso do grupo Technos – que detém as marcas de franquia Euro e Touch –, que tem quase todas as suas unidades instaladas em shoppings. “O investimento de aluguel no shopping é alto, mas pode-se negociar esse valor de tabela.

Na nossa operação, que é toda com quiosques, temos uma vantagem clara: não existem luvas para esse modelo de negócio”, argumenta a gerente de expansão das redes Euro e Touch, Renata Barbieri. O plano de expansão da rede está focado, principalmente, nos shoppings paulistas e de grandes cidades da região Sul. Outra rede que tem o foco voltado para os shoppings é a Mr. Cheney, franquia de cookie stores. Nove em cada dez unidades da rede estão instaladas em shoppings. Para o presidente da rede Mr. Cheney, Lindolfo Paiva, os shoppings são os “queridinhos”, já que atraem pessoas dispostas ao consumo. É varejo aplicado. “Quanto melhor o shopping, mais força e visibilidade terá nossa marca.

Ainda vale a pena suportar os custos maiores por causa da venda melhor e ‘fama’ maior”, explica Paiva. A rede conta com 64 lojas em operação, por isso, Paiva conhece de perto como funciona uma negociação entre lojistas e operadoras de shoppings. Ele vê uma recente mudança de comportamento que tem beneficiado quem quer começar uma operação em um centro de compras: “Temos sentido uma parceria maior com a maioria das operadoras nesse assunto. O ‘ganha-ganha’ está sendo entronizado nesse relacionamento, o que não existia em um passado recente”.

Para o especialista em varejo Douglas Santinelli, antes de abrir uma franquia em shopping o investidor precisa colocar na ponta do lápis todos os custos operacionais que vai ter a mais quando comparado com o de uma loja de rua. “Os gastos fixos mensais, normalmente, são maiores em shoppings, além das regras de horários de operação que obrigam um maior número de funcionários”, comenta o especialista que complementa: “Mas, por outro lado, o fluxo de pessoas e o horário estendido aumentam a possibilidade de vendas maiores. Dessa forma, é preciso ver se as vendas maiores cobrem os gastos de operação, além dos de uso da marca, como royalties e fundo de propaganda da rede”.

TENDÊNCIAS

Para você que pensa em abrir uma loja dentro de um shopping, é importante saber quais são as tendências do mercado. A Abrasce acredita que até 2016 o número de outlets suba de 11 para 16 e dos shoppings atinja a marcade 588 (hoje são 558). Além disso, deve aumentar o número de empreendimentos que fazem parte de um complexo multiuso com hotéis, condomínios residenciais e faculdades. A tecnologia em alta também pode ditar em um futuro próximo o comportamento do consumidor. Segundo a pesquisa “Abrasce Ecommerce” divulgada em 2016, metade de todas as vendas do varejo é influenciada pelo meio digital. Oito em cada dez consumidores compraram em lojas físicas depois de fazer uma navegação online. “Números que comprovam que a internet é um importante complemento para a experiência de compras no shopping. As empresas precisam ter isso em mente para que a operação física saiba aproveitar o que o mundo virtual tem para oferecer”, finaliza Douglas Santinelli.

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