Redes com modelos de até R$ 90 mil representam 18% do mercado

08/06/2017

DCI – Erica Ribeiro – 31/05 Os destaques são os setores de alimentação, saúde e beleza; até as grandes marcas que não oferecem formatos compactos pretendem criá-los em até dois anos O segmento de microfranquias vem conquistando cada vez mais destaque no resiliente mercado de franchising. Com investimento menor –  máximo de R$ 90 mil, […]

DCI – Erica Ribeiro – 31/05

Os destaques são os setores de alimentação, saúde e beleza; até as grandes marcas que não oferecem formatos compactos pretendem criá-los em até dois anos

O segmento de microfranquias vem conquistando cada vez mais destaque no resiliente mercado de franchising. Com investimento menor –  máximo de R$ 90 mil, pelas novas regras do setor -, o número de marcas que atuam exclusivamente neste formato cresceu nos últimos 12 meses, com 15 lançamentos.

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), há 3.039 franquias no País e 557 operam apenas  com o modelo compacto ou detêm formato híbrido, unindo o tradicional e o compacto. Dentre as que não trabalham no  segmento, 36% desejam lançar o formato em até dois anos, um número potencial de 893 novas marcas atuando neste  filão. Os setores de destaque são alimentação e saúde & beleza.

Uma novata é a Snack Saudável. A primeira unidade foi aberta em Ariquemes (RO) em abril deste ano. Uma das franqueadas, Hellen Maciel Gomes de Souza, considerou o custo do investimento – em torno de

R$ 54 mil – compatível com suas possibilidades e gostou de poder unir o útil ao agradável atuando no segmento.

“Eu precisava preparar o lanche do meu filho mais velho ou dar dinheiro para ele comprar algo na cantina. Eu mesma comprava alimentos industrializados e percebi que esse hábito prejudicava a saúde dele e proporcionava ganho de peso”, diz.

Hellen tomou conhecimento da marca pela internet e foi buscar mais informações.  “Vi que conseguiria ter mais tempo para os meus filhos e ajudar outros pais. O retorno supera minhas expectativas. Consegui clientes em todas as escolas particulares em apenas dois meses.”

Para Larissa Souza dos Santos, diretora da rede, como o nicho de alimentação saudável é uma tendência no mercado nacional e um segmento ainda pouco explorado, há espaço para crescer. “A expectativa inicial para 2017 era fechar o ano com 20 franquias, mas acreditamos que conquistaremos quase 40 em diferentes estados.”

Grandes marcas também enxergam nos formatos menores e mais baratos um caminho para ampliar a capilaridade dos negócios. A iGUi, rede que atua no segmento de fabricação de piscinas de fibra e no atendimento para manutenção, acaba de lançar o formato de quiosque para a Trata Bem, de limpeza e manutenção de piscinas e venda de produtos químicos.

O modelo contêiner foi lançado com custo entre R$ 34 mil e R$ 36 mil, incluídos taxa de franquia e capital de giro. Para facilitar o acesso ao crédito,  a franqueadora firmou uma parceria com o banco Santander, que oferece uma linha especial para o investimento. As novas condições de crédito começaram a valer a partir de 18 de maio.

“Queremos proporcionar oportunidades de negócios rentáveis e produtos e serviços de qualidade superior”, declara Filipe Sisson, fundador e CEO da iGUi.

Além do novo formato da franquia, a rede trabalha também com o modelo home office, com valores entre R$ 18 mil e 22 mil. Há dois meses, o franqueado da iGUi Joilson Barbosa Borges adquiriu uma microfranquia da Trata Bem, instalada na Rodovia Castelo Branco, entre as cidades de Itu e Mairinque, no interior de São Paulo. “O formato contêiner oferece todos os acessórios e produtos químicos para limpeza e manutenção de piscinas. Eu já trabalhava no ramo e optei pela microfranquia, usando o financiamento que a iGUi ofereceu pelo Santander para parcelar a compra, no valor de R$ 34 mil.”

Uma grande rede de franquias que viu nos formatos menores um meio de expansão foi a Cacau Show. Por meio da holding Cacau Par, a empresa lançou três novos modelos de negócio. A microfranquia de distribuição, com investimento a partir de R$ 19 mil, prevê que o franqueado trabalhe em sua própria casa com a venda e distribuição de produtos da marca, desenvolvendo uma rede de revendedores para vendas domiciliares e corporativas. O modelo se assemelha ao de venda direta e a expectativa de retorno vai de 12 a 18 meses.

Já a microfranquia Cacau Show é uma opção focada na venda de chocolates, além de cafés e fondue. É compacta e ideal para instalação em universidades, hipermercados, shoppings e galerias comerciais. O investimento parte de R$ 35 mil. O outro modelo da Cacau Show é a Gelateria Cacau Show. A microfranquia é voltada a galerias comerciais, estações de metrô e de trens, universidades, hipermercados e shoppings. O valor de investimento parte de R$ 38 mil, com expectativa de retorno  também de 12 a 18 meses.

Mesmo quando o termo microfranquia nem era utilizado, a Emagrecentro já atuava no segmento, com oferta de negócios a baixo custo. A marca entrou no franchising em 1994 e hoje conta com mais de 150 unidades pelo Brasil. A Emagrecentro não cobra taxa de franquia e exige investimento inicial a partir de R$ 65 mil – que pode ser parcelado em até três vezes, no cartão de crédito ou por cheque.

“O faturamento deve crescer 25% até o fim de 2017, por conta também da implementação do EsthetiClub nas novas unidades”, ressalta Edson Ramuth, CEO da rede. No serviço, o cliente paga uma mensalidade e faz todos os procedimentos estéticos disponíveis nas clínicas Emagrecentro com pacotes a partir de R$ 149,00 por mês.

“Estou na rede desde 2015 e vejo um crescimento muito promissor para o ano de 2017, pois estamos investindo em profissionais qualificados, campanhas de marketing e redes sociais. Isso faz com que consigamos mais clientes. Para este ano, esperamos um crescimento de 30% no faturamento da clínica”, conta a franqueada Simone de Paula Pinotti.

Redes que se dedicam a formatos home based mostram que investir em operações para quem quer trabalhar em casa é um bom negócio. Com 51 franquias em 15 estados brasileiros, a rede MTCred, que oferece serviços de crédito consignado, vem ampliando a modalidade de franquias com este perfil. O valor do investimento em um modelo  smart, como a empresa nomeou seu formato home based, é de R$ 14.990, com taxa de franquia incluída.

Luciano Alves de Moraes é formado em administração de empresas com MBA em marketing e antes de abrir a unidade em Rondonópolis (MT) era gerente regional em uma concessionária de automóveis. Um amigo o apresentou a Raniery Queiroz, CEO da MTCred, e Luciano resolveu investir em uma franquia. Hoje, sua unidade, que funciona há quatro anos, fatura entre R$ 600 mil e R$ 800 mil por mês. Ele está investindo em estrutura e equipe para chegar a R$ 1 milhão.

Manuela Santiago é franqueada de três unidades da Tutores – rede de franquias de reforço escolar –  em São Paulo (SP). Formada em engenharia química, mas insatisfeita com sua formação, ela começou a trabalhar na empresa como tutora de matemática, física e química nas unidades de Perdizes e Vila Mariana, bairros da capital paulista. Acabou se apaixonando pela área educacional até que tomou a iniciativa de se tornar franqueada da marca. Sua primeira unidade foi inaugurada em meados de 2016, em Alto de Pinheiros, no modelo home based.  Com cerca de 20 alunos, espera faturar este ano R$ 11 mil por mês.

Suas outras duas unidades, uma na Vila Leopoldina e outra em Perdizes, foram abertas em março deste ano e já contam com dez alunos.  Bem-sucedida em seus três empreendimentos, Manuela ainda pretende realizar este ano a negociação de mais uma unidade da Tutores .”A escolha pelo franchising ocorreu pela solidez da empresa e pelo apoio em diversas áreas que somente o mercado de franchising traz para o jovem empreendedor. Desde o início eu acreditei nos valores e princípios da Tutores, que estão alinhados aos meus”, diz ela.

O custo inicial da franquia para unidades com até 50 mil habitantes é de R$ 20 mil. Para cidades entre cem mil e 500 mil habitantes, o preço é de R$ 37.500 e acima de 500 mil habitantes, de R$ 47 mil. Atualmente a franquia Tutores conta com 47 lojas franqueadas e 26 home based.

A estratégia de redução de preços para a expansão de redes por meio de franquias pode sofrer uma turbulência diante da pressão do preço de insumos, mais intenso em alguns segmentos da economia. Um dos exemplos é a Sorvetes Rochinha. Tradicional fabricante de sorvetes de massa e de picolés surgida há mais de 30 anos no litoral norte de São Paulo, a empresa precisou, no fim do mês de maio deste ano, aumentar o preço da franquia oferecida no formato quiosque.

O investimento mínimo exigido pela empresa saltou de R$ 90 mil para R$ 109,5 mil e, com a medida, o negócio deixou de ser enquadrado no conceito de microfranquia, determinado pela associação do segmento. Para compensar o aumento de custos e manter a atratividade,  o franqueador cede o quiosque em regime de comodato aos franqueados.

Atualmente, a empresa conta com sete quiosques em operação: cinco em São Paulo e dois em Curitiba. O quiosque Rochinha tem estrutura de 7 metros quadrados e é equipado com televisores, freezers, equipamentos de milkshakes, sistema de informática e softwares de gestão, Há capacidade de a unidade armazenar 30 sabores de picolés e 14 de massa. Diógenes Albuquerque de Carvalho, 42 anos, é o franqueado da marca em Curitiba. A cidade foi a primeira a receber o quiosque da marca fora da capital paulista. Hoje, Diógenes tem duas unidades.

“Sem dúvida, optar por uma franquia de indústria dá mais confiança para entrar no mercado. Abri a primeira unidade em setembro e a segunda em dezembro de 2016, quando vi o potencial que a marca. Procurei investir em algo que fugisse do modismo comum no setor de sorvetes, como as paleterias e os gelatos e, por isso, escolhi uma empresa com referência e tradição em sorvetes. A questão de a estrutura ser em comodato me ajudou muito também.  A marca foi bem aceita pelos curitibanos e já penso em expandir ainda mais”, planeja o microempresário.

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