Presença de multifranqueados sobe e mostra amadurecimento do mercado

08/06/2017

DCI – Pedro Arbex – 26/05 Apesar do crescimento, o percentual de franqueados com mais de uma loja de uma mesma rede ainda é baixo no Brasil (23%); a tendência é que ele cresça e se aproxime de níveis internacionais O número de multifranqueados no mercado brasileiro de franquias vem crescendo nos últimos anos, sinalizando […]

DCI – Pedro Arbex – 26/05

Apesar do crescimento, o percentual de franqueados com mais de uma loja de uma mesma rede ainda é baixo no Brasil (23%); a tendência é que ele cresça e se aproxime de níveis internacionais

O número de multifranqueados no mercado brasileiro de franquias vem crescendo nos últimos anos, sinalizando para um processo de amadurecimento do setor. A tendência é que a fatia de empresários com mais de uma unidade dentro da mesma rede, que hoje é de 23%, evolua, podendo chegar próximo dos níveis internacionais.

Nos Estados Unidos, por exemplo, onde praticamente 100% das redes de franquias possuem multifranqueados em seu quadro, o percentual de investidores com mais de uma unidade gira em torno de 55% (veja mais no gráfico).”A fatia é maior até por um estímulo das próprias redes, que preferem expandir com esse perfil de investidor”, diz o diretor institucional da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Juarez Leão.

A presença dos chamados ‘franqueados profissionais’ traz uma série de benefícios para a franqueadora, o que justifica a preferência. Um deles, segundo Leão, diz respeito ao tempo de maturação das unidades. “Um investidor que já opera na rede possui uma expertise do negócio, o que faz com que o tempo de maturação ao abrir a segunda operação seja inferior.”

O executivo estima que o tempo de maturação (período para chegar a um faturamento considerado satisfatório) de uma unidade aberta por um franqueado que já opera no grupo possa ser 30% menor, em comparação com um investidor que está abrindo sua primeira unidade.

Há também, para a rede, uma redução do risco do negócio. Ao lidar com um investidor conhecido, cujo histórico de pagamentos já seja conhecido pela franqueadora, a probabilidade de inadimplência é menor, aponta o diretor da ABF.

As vantagens citadas por Leão têm sido percebidas por algumas redes de franquias no Brasil, que têm estimulado seus franqueados a investir na abertura de mais unidades, diz o sócio-diretor da consultoria ba}STOCKLER, Guilherme Siriani. “É um movimento recente no País, mas as franqueadoras estão vendo os benefícios, e o investidor aprendendo que isso é viável. É um caminho sem volta e que deve se acentuar daqui para frente”, afirma.

Uma dessas empresas é o Grupo Afeet, detentor de quatro marcas de franquias (Authentic Feet, Artwalk, Magicfeet e Tennis Express). O gerente de expansão da rede, Rodrigo Faria, conta que a participação dos franqueados com mais de uma loja vem crescendo nos últimos anos e já representa hoje 73% do total. A média de lojas por franqueado é de 3,8.

“Temos planos de dobrar o número de lojas nos próximos anos, e estruturalmente não seria positivo para o grupo dobrar o número de franqueados. Por isso, trabalhamos muito para estimular os empresários que já trabalham conosco a investir em mais aberturas”, diz.

De acordo com ele, um dos fatores que prejudicam o crescimento maior da participação dos multifranqueados no setor, é que boa parte das redes não estão preparadas para lidar com esse investidor. “O multifranqueado busca uma série de otimizações na operação, o que faz com que ele tenha uma complexidade de gestão financeira, operacional e de pessoas muito maior. Algumas redes não têm a capacidade para lidar com isso e para transmitir esse conhecimento”, afirma.

Custos maiores

Outra barreira para a evolução mais consistente do modelo são os custos tributários. O diretor da ABF, Juarez Leão, explica que muitos franqueados deixam de abrir outra unidade para não ter que sair do regime tributário do Simples. “Quando abrem outra loja muitos empresários acabam saindo do Simples e entrando no Lucro Presumido ou Real. E há uma diferença de gastos com impostos que ultrapassa os 10%.”

Os custos maiores se dão também em outros aspectos da operação. É preciso, por exemplo, realizar novas contratações e investir em um escritório central. Todas essas despesas, exigem, de acordo com Leão, que os multifranquados tenham uma performance de vendas superior do que os que só tem uma loja. “A vantagem é que ele terá uma gestão mais profissional do negócio e uma série de ganhos de escala em diversas áreas de fornecimento, que podem acabar compensando os gastos.”

Um desses benefícios é em relação aos estoques, na visão de Faria, do Grupo Afeet. “Ele consegue acertar grades com mais facilidade e realocar de uma loja para a outra”, afirma.

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