Máquina automática vende de café a cupcake

26/05/2014

Máquina automática vende de café a cupcake, confira no Portal do Franchising

Jornal DCI – Flávia Milhassi – 19/05

Mesmo a passos tímidos, o setor de máquinas automáticas ou vending machine começa a ser explorado de forma mais profissionalizada no Brasil. O que antes tinha como carro-chefe de vendas o café e bonecos e balas para crianças, agora conta com a comercialização de flores, produtos de beleza, cupcakes e até alimentos saudáveis.

E foi ao apostar no conceito de saudabilidade que os empresários Fernando Damas e Eduardo Corrêa entraram no setor no começo deste ano. "O meu sócio Eduardo identificou o potencial do setor com a ajuda de uma consultoria e desde janeiro estamos com a Fastgood em operação", explicou Damas ao DCI. O potencial mencionado pelo empresário é comprovado pelo quanto esse nicho de mercado pode ter incremento em médio prazo. Estimativa da Associação Brasileira de Vendas Automáticas (ABVA) é que no Brasil existam cerca de 600 operadores, sendo 80% deles pequenos e médios empresários e cerca de 100 mil máquinas em atividade, o que dá em média dois mil habitantes por máquina. Na Itália, essa relação é de 90 habitantes por vending machine. A última movimentação financeira divulgada pela entidade, isso em 2012, apontou que naquele ano as máquinas de vendas faturaram 700 milhões. Estima-se que o setor cresça entre 5% e 7% ao ano.

Como foi no mundo corporativo que Corrêa e Damas iniciaram no mercado de máquinas automáticas, ambos preferem não atuar onde existe vending machines de junk food. "Não temos como competir com salgadinhos, chocolates e os snacks vendidos nessas máquinas. E nas negociações com o setor de recursos humanos das empresas, muitos nos diziam que tinham uma de café e que não queriam encerrar esses contratos. Idealizamos uma máquina que vende café e chocolates, só que orgânicos", explicou.

Mundo infantil

É muito comum encontrar nos supermercados, em lojas de artigos infantis uma máquina que comercializa brinquedinhos e balas. Um dos principais players nesse nicho é a Mr Kids, que comercializa as vending machines por meio de franquias. "Eu já atuava no setor com a Brasvending, que tem máquinas em parques e empresas. Para criar a Mr. Kids (em 2012) parti para produtos licenciados como Homem Aranha, entre outros", como afirmou o fundador da marca Antônio Chiarizzi.

O empresário afirmou que, por ser uma máquina de baixo investimento, até R$ 18 mil, os investidores que o procura são aqueles que querem agregar a renda. "As máquinas são pequenas, e os produtos de fácil estocagem. Explicamos ao franqueado que o mais correto é ele escolher um ponto próximo a sua casa ou no caminho do trabalho para a manutenção da mesma ser mais fácil", explicou.

Mesmo para vender produtos de baixo valor agregado, entre R$ 1 e R$ 2, Chiarizzi explicou que é possível ter um bom lucro. "Temos franqueados que faturam de R$2.500 a R$ 20 mil, a margem bruta desse valor fica em torno de 40% a 50%", disse Chiarizzi. A marca conta hoj e com 52 franquias, sendo 30 delas abertas somente no ano passado. Para este ano, a empresa pretende realizar um investimento de aproximadamente R$ 2,1 milhões para a compra de equipamentos e produtos, estes últimos divididos em 20% de fabricação nacional e 80% importados da China. A rede faturou em 2013 R$ 2,8 milhões e a expectativa para este ano é um crescimento de 48% no faturamento e a abertura de mais 55 franquias em todo o Brasil. "Nosso faturamento pode chegar a R$ 4,2 milhões esse ano", enfatizou o empresário. "Tem muito espaço para crescer ainda no País", concluiu.

Cultura

Na opinião de Paulo Ancona Lopez, diretor da Consultoria Vecchi Ancona Inteligência Estratégica, não é costume o brasileiro comprar produtos nessas máquinas, pois além de não ter em todos os locais de grande concentração de pessoas, muitas não aceitam cartão, o que dificulta a compra. "Ninguém gosta de carregar moedas e eu acredito que a falta de tecnologia na hora do pagamento influência no crescimento menor do setor", disse.

Lopez argumentou também, que, mesmo com dois eventos esportivos de peso prestes a acontecer – Copa do Mundo no próximo mês e as Olimpíadas em 2016 – quase não houve movimentação das empresas para estarem nos estádios, por exemplo. "Não vimos nenhuma movimentação e essa seria uma ótima oportunidade para quem atua nesse segmento", explicou Chiarizzi.

Para o analista, o Brasil pode sim ter um mercado de vending machine promissor, semelhante ao da Europa. "Isso pode demorar por volta de 10 anos ainda, mas que o mercado tem potencial, isso é impossível negar". Com uma movimentação financeira de R$ 700 milhões ao ano em média, hoje as grandes empresas (indústrias) são as que detêm maior parte desse faturamento, mas os pequenos e médios podem, sim, tornarem-se mais presentes nesse segmento.

"Um dos maiores entraves do setor é o preço para montar uma operação. As máquinas são caras, precisam de um importador para fazer a compra e dependendo do produto vendido, as margens são muito baixas", enfatizou Lopes. Mesmo com esses fatores, o consultor acredita que o setor pode crescer, pelo menos, acima dos dois dígitos e vir a se consolidar em solo nacional.

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