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Eles trabalham em rede

11/03/2015

Um dos lugares-comuns do mundo dos negócios diz que uma grande idéia é o primeiro passo para emplacar um sucesso. De fato, insights com alto potencial de causar impacto podem representar um baita estímulo para quem quer montar uma empresa. Apesar disso, a dura Verdade é que, incontáveis vezes, empreendedores com excelentes sacadas acabam morrendo na praia, sem conseguir alcançar bons resultados com seu negócio. A razão disso, em muitos casos, é a falta de habilidade dos empreendedores para criar relacionamentos sólidos com os integrantes de outras esferas do mundo das pequenas e médias empresas sejam eles sócios, clientes, investidores, fornecedores, formadores de opinião, entidades setoriais ou de apoio ao empreendedorismo.

Juntar essas pontas de forma harmônica é tão importante quanto ter uma boa idéia ou até mais. E é precisamente por isso que o trabalho em rede é um dos mantras do nosso tempo. Ele vale para todos franquias, e-commerces, varejistas, startups e negócios sociais. É o que está por trás do caso da ViajaNet, empresa de venda de passagens online que nasceu de uma relação mantida por seu fundador, Bob Rossato, desde seus tempos como trainee. Ou, então, da franquia de locação de máquinas Casa do Construtor, que tem com sua rede de franqueados – é até com a concorrência-um saudável fluxo de informações para aprimorar processos. A seguir, Pequenas Empresas & Grandes Negócios traz uma seleção de histórias de craques do networking.

A arte de estar perto dos peixes grandes

Como Bob Rossato montou um e-commerce de passagens aéreas que fatura mais de R$ 400 milhões com a ajuda de um contato que fez quando era trainee

A melhor pessoa para a empreitada era seu antigo pupilo Bob Rossato. A indicação seria o primeiro passo para o surgimento da ViajaNet, e-commerce de passagens aéreas que virou um importante player do setor, com faturamento anual acima de R$ 400 milhões, segundo dados divulgados em 2013.

A lembrança não foi à toa. Os dois se conheceram em 1995, quando Rossato, então com 18 anos, tinha acabado de entrar para o programa de trainee da Carlson Wagonlit. Como parte do programa incluía encontros periódicos entre os recém-chegados e os executivos mais experientes, Rossato viu ali sua chance de entrar no radar de um peso pesado do setor. Ele viria a sair da empresa em 2000, mas nunca deixaria esfriar o contato com Feldberg. “Marquei o primeiro almoço umas três semanas após sair da companhia”, diz Rossato. Nos anos seguintes, eles trocariam centenas de e-mails e se veriam em dezenas de almoços e cafés.

O caso de Rossato diz muito sobre a importância de manter os laços com as pessoas próximas dos centros de poder (leia-se: aqueles que podem abrir portas para seu negócio junto a grandes empresas, sejam elas clientes ou investidores). Em algum momento, todo empreendedor cruza com algum peixe grande de seu setor e tem a chance de papear pelo menos cinco minutos com ele. A primeira impressão, claro, é muito importante. Mas o que virá a seguir, isto é, a forma como esse contato será mantido (se é que será), é igualmente crucial. Trata-se de uma tarefa difícil, que envolve muito jogo de cintura e sensibilidade para avaliar até onde se pode ir na aproximação. Na trajetória de Rossato, cultivar o contato com as pessoas certas foi nada menos do que a pedra fundamental de seu negócio. Após aceitar o convite para liderar a ViajaNet, ele continuou fazendo de sua agenda um de seus maiores ativos como empreendedor. Para atuar como sócio na empresa, ele convidou Alex Todres, um amigo com quem trabalhara numa startup que viria a se tornar o e-commerce Decolar.com e num projeto de turismo do Grupo Panamericano. “Naquela época, notei que ele sabia identificar boas oportunidades e não tinha medo de assumir riscos”, afirma Rossato.

Um mês após o lançamento com os recursos dos investidores-anjo reunidos por Feldberg, a ViajaNet recebeu um novo aporte (de valor não revelado) do fundo espanhol IG Expansion. Daí em diante, a rede da empresa entrou num ciclo virtuoso. Os gestores do IG apresentaram a startup para a Redpoint Ventures e a General Catalyst, dois dos maiores fundos de tecnologia do mundo, que participaram da primeira rodada de investimentos do negócio, em junho de 2011. Os investidores nova-iorquinos do Pinnacle vieram em dezembro do mesmo ano. Papo vai, papo vem, a empresa de Rossato e Torres captou cerca de R$ 30 milhões em recursos. “Sou do tipo que não tem medo de se apresentar”, afirma Rossato.

A educação como um ativo para investir em boas relações

Gabriel Benarrós usou sua passagem por boas escolas para tirar uma idéia do papel

“Eu entrei para a Fundação Estudar em 2007, depois de me formar no colégio, em Manaus (AM) A entidade ajuda bons estudantes a conseguir bolsas de estudo em universidades de ponta nos Estados Unidos. Eu queria cursar economia na Universidade de Stanford, na Califórnia, e foi por meio da fundação que consegui. Foi ali também que tive meu primeiro contato de verdade com empreendedores que estavam começando: Thiago Feijão, fundador da Qmagico, que desenvolve tecnologias voltadas para a educação, e Caio Braz, criador do Backpacker, jogo que ensina inglês.”

“Eu me formei em economia e psicologia no primeiro semestre de 2011. No mesmo ano, decidi fazer um curso de mestrado, em economia também, na própria Universidade de Stanford. Foi logo no primeiro dia de aula que nasceu a Ingresse. Um professor chamado Jack Fuchss pediu para criarmos idéias de negócios. Quando ouviu a idéia, ele me aconselhou a voltar para o Brasil e desenvolver a plataforma de venda de ingressos. Fuchs foi o nosso primeiro investidor. Em seguida, vieram Denis Minev e Marco Perlman, dois ex-alunos de Stanford.”

“Importante descobrir os motivos do outro”

Poucos empreendedores brasileiros sabem explorar o trabalho em rede tão bem como Bedy Yang. Após uma temporada de quatro anos no Vale do Silício, a economista identificou diversos pontos de interesse entre o ecossistema americano e o mundo das startups do Brasil. Disso nasceu o Brazil Innovators, uma rede colaborativa que tem como objetivo fazer o meio de campo entre investidores americanos e empreendedores brasileiros. Mais tarde, Bedy se tornaria sócia da 500 Startups, fundo americano que aplica de US$ 10 mil a US$ 250 mil em empresas em estágio inicial. A seguir, ela diz o que pensa sobre a arte de se aproximar das pessoas certas.

Qual a melhor forma de abordar outra pessoa

Existem duas maneiras de ser apresentado a alguém. A primeira é quando você vai lá e se apresenta. A segunda, mais comum, é quando se pede para ser apresentado. Para qualquer uma dessas situações, é importante fazer uma pesquisa para saber quem é a pessoa e o que pode decorrer do contato. Outra coisa que ajuda é ser sincero com o intermediário dizendo o que espera desse encontro.

“Enquanto estava em Stanford, eu e outros 30 estudantes criamos a Associação Brasileira de Estudantes na Califórnia. Fui presidente desse grupo por um tempo e sempre organizava eventos para as pessoas se conhecerem. Foi num churrasco feito por nós que eu conheci a Bel Pesce, da escola de empreendedorismo Fazlnova. Mal imaginava que ligaria para ela, três anos depois, para pedir um favor.
Quando a Ingresse cresceu demais para continuar no Peixe Urbano, eu mandei uma mensagem para a Bel pedindo a ela para postar em sua página do Facebook (na época, com mais de 1 milhão de seguidores) que eu estava procurando um espaço de coworking. Assim nasceu a Mansão das Startups, uma casa no bairro de Pinheiros, São Paulo (SP), que ficou conhecida por abrigar várias empresas de alto potencial. Lá, um dia eu recebi o Lucas Mendes, que também estudou em Stanford e é fundador da loja online Beleza na Web. E, por meio dele, cheguei ao Rafael Glezer, que se tornou nosso gerente de marketing.”

“Um ano depois de fundarmos a empresa, com o capital recebido pelos investidores de Stanford, recebemos aportes e fomos acelerados pela 500 Startups. Lá, existe um grupo chamado 500 Family. Uma vez que um empreendedor faça parte da aceleradora, ele tem acesso a todos os contatos dessa rede. Quando começamos a levar a Ingresse para São Paulo, foi a Bedy Yang fundadora da 500 Startups, quem arranjou o escritório. Ela mandou uma porção de e-mails para vários empreendedores. O Júlio Vasconcelos, fundador do Peixe Urbano e ex-aluno de Stanford, respondeu e minha startup ficou alojada na sede dele durante os seis primeiros meses em São Paulo.”

No primeiro ano da Ingresse, fiz um monte de palestras: na Fundação Getulio Vargas, na E5PM e no Núcleo de Empreendedorismo da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis da Universidade de São Paulo). Até para o Piauí eu fui”

Como pedir a um intermediário para apresentar você ?

A melhor coisa é o próprio empreendedor escrever um e-mail se apresentando, dizendo o que precisa, por que e como. Assim, o cara que vai fazer a “ponte” vai gastar só dez segundos encaminhando o e-mail para o sujeito.

O que faz com que uma pessoa se interesse em ajudar outra?

As pessoas têm motivos diferentes para ajudar umas as outras. Umas fazem isso porque receberam muita ajuda e querem retribuir. Outras ajudam porque buscam manter contato com startups inovadoras. É importante descobrir o motivo de quem está buscando antes de contatá-lo. Dessa forma, é possível fazer uma oferta melhor.

É saudável manter contatos por uma rede social?

Eu acho eficiente. O mais comum é o e-mail, mas muito networking é feito via Linkedln, Facebook e até WhatsApp. E importante, contudo, que o empreendedor entenda bem onde as pessoas que ele busca estão e de qual forma elas preferem se comunicar. Por exemplo: quando alguém me procura no Facebook para falar de trabalho, as chances de eu responder são muito baixas. Se esse mesmo contato for feito via Linkedln, a probabilidade de eu responder aumenta. É preciso decidir o canal levando em conta duas coisas: o que é uma boa prática no mercado e o meio preferido pela outra pessoa.

A história do empreendedor que saiu comentando sua ideia para todo mundo e acabou caindo nas graças da Embraer

Rodrigo Krug, da startup de impressoras 3D Cliever, e a arte de falar até dar calo na língua

Em 2011, logo depois que caíram as patentes para a produção de impressoras 3D, o estudante de engenharia mecânica Rodrigo Krug, 28 anos, saiu espalhando para Deus e o mundo que queria aproveitar a oportunidade e entrar nesse mercado. “Até então, o preço de uma impressora desse tipo era cerca de R$ 60 mil. Com a queda das patentes, o produto poderia custar R$ 5 mil”, diz o empreendedor.

Seu primeiro passo foi ingressar com o projeto na pré-incubadora da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), onde estudava. Lá, concluiu o protótipo e fez o plano de negócios que daria origem à Cliever. No fim de 2011, Krug encontrou um antigo professor do curso de engenharia, Edgar Bortolini, e acabou contando sua idéia. “Ele me sugeriu participar da Campus Party Brasil e deu dicas de como apresentar o meu produto.” Em fevereiro de 2012, Krug levava seu protótipo de impressora 3D para a maior feira de tecnologia do país.

Logo no primeiro dia, Krug distribuiu 500 cartões corporativos e deu uma porção de entrevistas. Ele falou sobre os diferenciais de sua impressora a quem quisesse ouvir de transeuntes curiosos a jornalistas de sites de tecnologia ou canais da TV aberta. “Sabe aquela criança que fica mostrando para a mãe tudo o que faz Eu basicamente agi assim”, diz o empreendedor. Pouco depois, Krug foi procurado por três engenheiros da Embraer. Eles tinham visto uma das reportagens feitas sobre a Cliever na Campus Party e estavam interessados em comprar impressoras 3D para produzir protótipos de suas aeronaves. Desde então, a gigante da aviação é um dos principais clientes da empresa.

A Embraer foi a credencial que a startup precisava para ser aceita na incubadora da PUC-RS, em 2012. Logo no primeiro dia no novo escritório, Krug saiu se apresentando às startups vizinhas. “Uma delas, a empresa de serviços contábeis LLBC, acabou auxiliando a internacionalização da Cliever”, diz o empreendedor, que tem clientes na Europa. De lá para cá, a startup já vendeu mais de 400 modelos de impressora. Atualmente, o negócio tem 12 funcionários e, em 2014, faturou R$ 1,2 milhão.

“A ideia e um capital de influência”

Nos últimos anos, o professor Aldo Musacchio, da Harvard Business School, tem se dedicado a estudar as redes de relacionamento formadas por companhias de países emergentes e o Estado. Parece conversa de acadêmico e é mesmo -, mas também tem tudo a ver com as pequenas e médias empresas. Goste-se ou não disso, todo empreendedor é parte de uma rede e pode usar suas conexões para ajudar nas vendas, na captação de investidores ou na contratação de talentos. A seguir, Musacchio (que acaba de lançar o livro Leviatã nos Negócios: As Diversas Formas de Capitalismo de Estado, escrito em coautoria com Sérgio Lazzarini) diz como identificar os pontos fortes nas relações e usar isso nos negócios.

O que mais importa na hora de fazer contatos?

O dinheiro, com certeza, ainda é o capital de influência mais poderoso, pois é o que mais abre portas. Quando você tem dinheiro, é possível fazer doações que o aproximem de pessoas interessantes e participar de conselhos e eventos. O capital abre portas porque compra a entrada em muitos dos grandes círculos de influência. Em certas entidades, entre elas as grandes universidades do mundo, é possível entrar no conselho doando dinheiro. Uma vez nesses boctrds, você tem um networking impressionante.

E quando não há esse dinheiro?
É preciso ver qual a importância do produto para aqueles com quem se está falando. A idéia é inovadora Interessaria por algum motivo A idéia também é um capital de influência e deve ser muito usada pelo pequeno e médio empreendedor. Ele só precisa saber para quem pode oferecer o quê.

O senhor pode dar um exemplo?

Em 2014, o Brasil ganhou um caso contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio. Foi uma disputa que começou em 2004, contra os subsídios recebidos por produtores de algodão dos EUA. Quem procurou o Itamaraty não foi uma grande empresa, mas um representante de vários pequenos produtores. Ele sabia que tinha nas mãos uma causa que interessaria ao governo e foi assim que conseguiu o que queria.

Como isso funcionaria para quem tenta apresentar um negócio?

Trata-se de provar que você realmente está gerando valor com seu produto. Eu gosto muito do caso da Dropbox. Seu fundador, Drew Houston, é um engenheiro muito inteligente, formado em Stanford. No entanto, quando a Dropbox começou, era uma startup sem nenhum apoio. Steve Jobs tentou contratar Houston, mas ele recusou e continuou na Dropbox. Ele teve de provar para o mundo que tinha um serviço que gerava valor antes de conseguir apoio dos grandes. Foi pela meritocracia que teve sucesso e formou seu networking [hoje, o valor de mercado da Dropbox é de US$ 10 bilhões].

O que mais deve ser levado em conta para montar uma rede?

No Brasil, você precisa ser charmoso e falar bem. Por aí, o mercado de capitais ainda é pouco maduro. Por isso, quem você conhece e o que as pessoas pensam de você importam muito. Imagine um sujeito que vem de uma favela, tem uma ótima idéia de negócio e é empenhado, mas fala usando gírias. Esse cara dificilmente vai conseguir gerar impacto nas pessoas que têm capital no Brasil. Existem exceções, claro, mas as redes de influência têm certas etiquetas, normas de comportamento e apresentação que você precisa seguir. Para entrar nesse meio, a princípio, você deve aprender esses códigos.

Quando vale a pena ser um cara de pau

Como Fábio Freitas, do aplicativo Belezuka, abriu as portas do Pão de Açúcar

“Podia ser uma estratégia de guerra. Mas era um plano para abordar o Hugo Bethlem, na época vice-presidente do GPA (Grupo Pão de Açúcar), em uma feira de varejo. Estávamos em 20H. Eu e o meu sócio, Roberto Ferreira, havíamos acabado de lançar o primeiro aplicativo da Dot Legend, o Boa Lista. É uma plataforma que escaneia rótulos e mostra o supermercado com o preço mais baixo por produto. Logo de cara, tivemos mais de í milhão de downloads. Só que não sabíamos como ganhar dinheiro porque não entendíamos nada de varejo.

Quando Hugo estava de saída de uma sala onde tinha feito uma palestra, nos posicionamos no seu caminho. Ele ficou uns 45 minutos dando entrevista, mas seguimos esperando. Quando começou a andar em direção à saída, nos aproximamos. Eu já estava com o Boa Lista aberto no celular e praticamente entreguei o aparelho na mão do Hugo. O Roberto começou a fazer um rápido pitch que havíamos ensaiado. Ele foi diminuindo a velocidade, tirou os óculos do bolso do paletó, olhou para o celular, fez um comentário e nos entregou seu cartão. Disse: “Pronto, agora vocês já têm o meu contato”, e saiu. Ligamos no dia seguinte.

Falamos sobre uma possível parceria, mas não valia a pena para o Pão de Açúcar, pois a rede não tinha o preço como diferencial. Saímos de lá com um acordo para receber análises e estudos da companhia que nos ajudassem a entender mais sobre varejo. Também saímos pensando em criar uma plataforma que trouxesse mais valor para o varejista. Pensamos nisso até chegar ao Belezuca, um aplicativo que recompensa o consumidor pelas interações que ele faz com a loja. O usuário ganha pontos ao entrar em um estabelecimento parceiro e vai acumulando pontuação até poder trocar por algum prêmio.

O Hugo adorou a idéia do Belezuca e falou que o GPA poderia se tornar parceiro. Ficamos felizes, mas tínhamos um problema: precisávamos de investimento para continuar o projeto. Decidimos ligar para ele de novo, com a cara e a coragem, para perguntar se ele gostaria de ser nosso mentor e ajudar a conseguir investidores. Ele respondeu: “Eu não só aceito como vou fazer o primeiro aporte.” Um mês depois, Hugo nos apresentou a outros dois investidoresanjo, que também aplicaram na startup. Tivemos reunião com a Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, e o João Apolinário, da Polishop, para entender demandas do mercado. Em um ano, conseguimos parceiros como Lojas Americanas, Subway e Shopping Eldorado. Chegamos até eles graças aos contatos que o Hugo passou a carreira inteira fazendo. Atualmente, o Belezuka é o nosso carro-chefe, com faturamento anual de R$ 1 milhão.”

A ONG que põe o Fasano e a favela na mesma mesa

Na agenda do chef David Hertz, os nomes de Alex Atala e Rogério Fasano se misturam aos de jovens de comunidades carentes. À frente da Gastromotiva, projeto social que oferece cursos profissionalizantes de gastronomia, Hertz é um hábil diplomata que cria conexões entre mundos muito diferentes. A seguir, as três lições do empreendedor para tirar bom proveito do networking

Conquiste a atenção mostrando resultados

“A Gastromotiva é um programa social que ensina gastronomia a jovens de baixa renda. O projeto já formou mais de 1.200 alunos. Até hoje, aproximadamente 70% deles conseguiram um emprego ao longo do curso.” Desde que criou a Gastromotiva, em 2006, o chef curitibano David Hertz não faz uma reunião sem esses dados em mãos. Mostrar resultado, diz ele, é o primeiro passo para conquistar a confiança de um patrocinador ou investidor.

Aproveite os contatos que já fazem parte de sua rede

Na fase de expansão do projeto, Hertz acionou os contatos da própria agenda. “Procurei gente que já tinha provado a minha comida ou poderia se identificar com a causa.” A chef Katia Barbosa, do restaurante Aconchego Carioca, o conhecia dos tempos em que ele era professor e assumiu o desafio de levar o projeto para o Rio de Janeiro. Katia formou a primeira turma carioca da Gastromotiva com o apoio de nomes de peso, como o francês Claude Troisgros.

Explore o capital social de seu negócio

Todo negócio carrega uma força intangível que pode abrir portas o capital social. O de uma ONG, dado o caráter positivo de suas ações, é alto. No caso da Gastromotiva, a combinação de boa imagem e projeto consistente ajudou Hertz a angariar recursos de restaurantes estrelados, entre eles, D.O.M., Fasano e Brasil a Gosto. Com nomes assim, a ONG ganhou estatura e o patrocínio de grandes marcas, como KitchenAid, da Whirlpool.

A rede que começa nos eventos e vai parar no smartphone

Adriana Auriemo, da Nutty Bavarian, a expert em fazer e manter contatos nascidos em feiras corporativas

Há cerca de dois anos, Adriana Auriemo, fundadora da Nutty Bavarian, rede de quiosques que vendem amêndoas, decidiu investir pra valer numa aproximação com outros empreendedores. Desde então, ela não falta a nenhum evento de varejo, franchising e shopping centers. “Vou a todas as feiras e conferências das quais possa tirar qualquer proveito”, diz Adriana. A estratégia tem trazido bons resultados. Na NRF, o maior evento de varejo do mundo, ocorrida em janeiro de 2015, ela encontrou a solução para um problema da Nutty Bavarian. Os exaustores usados nos quiosques precisavam de manutenção freqüentemente, encarecendo a operação. Numa conversa com Antônio Bento, CEO da rede de restaurantes Spoleto, Adriana descobriu a solução. “Ele usa um sistema que aproveita a corrente de ar e consome menos recursos. Decidi adotar o mesmo.” A participação nos eventos também causou uma revolução no celular de Adriana. Ela faz parte de seis grupos do WhatsApp. “Eles surgiram durante as conferências, mas continuam até hoje.” No fim do ano passado, ela conseguiu um vitrinista para a primeira loja da rede, no Aeroporto de Guarulhos (SP), acionando a rede de contatos formada na feira da IFA, a associação internacional do setor de franquias. “Em segundos, tinha quatro contatos na mão.” Os grupos atuam também como clientes ocultos. Certa vez, ela recebeu no celular uma foto de um quiosque da Nutty Bavarian sem nenhum vendedor atendendo os clientes. “Liguei para o franqueado na hora. Nunca saberia de algo assim se não fossem esses grupos.”

A franquia que construiu uma rede para saber a opinião de todo mundo, inclusive dos concorrentes

Desde o começo de 2015, a franquia de locação de máquinas Casa do Construtor está reestruturando seu departamento de comunicação com o cliente. O plano é que, em breve, a rede lance um atendimento unificado pelo telefone e melhore seus resultados na busca orgânica pela web. Altino Christofoletti, 54 anos, e o sócio, Expedito Arena, 60, decidiram fazer essa mudança por sugestão de um franqueado, Tassiano Weyne, 52. Dono de duas lojas em São Paulo (SP), ele conhecia uma empresa que prestava esses dois serviços e poderia melhorar o relacionamento de toda a companhia com o consumidor final. “Fizemos uma reunião com eles e agora estamos estudando a melhor maneira de fazer a implantação”, afirma Christofoletti.

A ideia de Weyne só chegou até os fundadores da Casa do Construtor por causa da relação estreita que a rede mantém com os franqueados. Para dar conta da comunicação com os 150 franqueados à frente das 210 lojas espalhadas pelo país, os sócios fazem webconferências mensalmente. Dez grupos se organizam por temas de interesse, entre eles tecnologia, marketing e fornecedores. Dessa forma, Christofoletti busca capitalizar o conhecimento dos franqueados, que estão na ponta, em contato direto com o cliente. Uma das vantagens é compartilhar experiências e contatos de bons fornecedores. “Com isso, acabamos não só nos aproximando mas também fazendo com que os franqueados se aproximem entre eles”, afirma o empreendedor.

Além do networking interno, a Casa do Construtor incentiva a troca de experiências com entidades das quais Christofoletti e Arena fazem parte. Os sócios são apoiados pela Endeavor, a maior ONG de apoio ao empreendedorismo do mundo, que anualmente seleciona donos de negócios com alto potencial de crescimento para integrar um seleto grupo. “Ter a credencial Endeavor abre as portas para uma rede gigante de mentores e investidores muito experientes”, diz Christofoletti. Entre os conselheiros da Endeavor, estão nomes como Jorge Paulo Lemann, Laércio Cosentino e Romero Rodrigues. Para aproveitar esse acesso, os sócios levaram até franqueados com dificuldade para receber lições e conselhos de mentores da entidade. “Quando não sabemos ajudar, temos de recorrer a quem sabe.”

Receita da Casa do Construtor para aprender com os outros

Bom de papo, Christofoletti é um especialista em extrair o conhecimento de quem estiver por perto

Os sócios da Casa do Construtor aproveitam a formação profissional dos franqueados para aprimorar o negócio. Um dos exemplos está em Carlos Xavier, 39 anos, que era dono de uma loja de informática antes de se tornar franqueado da rede em Blumenau (SC). Depois de dois anos no grupo, Xavier sugeriu a implementação de um novo software de gestão para a empresa. “Ele já tinha conhecimento na área e agora está nos ajudando a implantar esse novo sistema em toda a rede”, afirma Christofoletti.

Entre as relações mantidas pela Casa do Construtor, a mais improvável é a com a concorrência. “Normalmente, o nosso franqueado visita o concorrente e fala sobre a gente”, diz Christofoletti. “A idéia é explicar que não vamos competir por preço e que queremos trazer profissionalismo para o setor.” Os fundadores da Casa do Construtor já chegaram, inclusive, a receber donos de outras empresas da área para mostrar seus processos internos da rede. “Esse tipo de networking é bom para criarmos uma concorrência leal ao nosso redor.”

A participação ativa em entidades como a Endeavor e a ABF (Associação Brasileira de Franchising) também tem grande importância para a Casa do Construtor. Na ABF, os dois sócios aproveitam para conhecer franqueadores de outras áreas e extrair lições para seus negócios. Recentemente, Christofoletti e outros cinco executivos da rede fizeram uma visita à sede da Localiza. “É claro que não dá para reproduzir integralmente algo que uma empresa faz, mas funciona como uma inspiração para criar algo melhor para a gente”, diz o empreendedor.

A dupla de empreendedores que criou uma startup usando a força de suas conexões no Vale do Silício

Como foi a aproximação entre você e seu sócio, Kevin Law?

“Eu e o Law éramos er genheiros no Google e trabalhávamos em áreas diferentes: ele, no Google Maps, e eu, na ferrame nta de buscas. Nós nos conhecemos em 2011, quando o Abhay vardhan, então meu chefe, se dumitiu para fundar a Blip.me, criadora de um aplicativo que transforma celulares em walkie-tclkies. Eu e o Kevin deixamos nosío emprego para trabalhar com el€ e, assim, nos conhecemos. Em 11013, a idéia de criar um app para conectar estudantes de idiomas com falantes nativos veio do Kevin, que sempre gostou de viajar. Quando contamos o projeto ao Abhay, ele foi nosso primeiro investidor.”

O que vocês fizeram para atrair os investidores que vieram depois?

“Existem maneiras diferentes de conhecer investidores. A mais eficiente é quando você é apresentado a eles por uma pessoa que já pôs dinheiro na sua companhia, como foi o caso do Abhay com a Cambly. Ele nos apresentou a seis investidores, mas não foi o nosso único canal. Também recebemos aportes do meu antigo colega de quarto em Princeton e de mais um amigo dele. O padrinho de casamento do Kevin também apostou na Cambly. Tudo isso porque eles nos conheciam bem e confiavam na gente. Muitas vezes, o investidor aposta mais nas pessoas do que na idéia.”

De que outra maneira o networking de vocês ajudou no começo da startup?

“Para montar a primeira equipe. as primeiras contratações são fundamentais. Devem ser pessoas que você não só conhece bem, mas confia como aconteceu com o Abhay, que recrutou duas pessoas que conhecia de seu antigo trabalho. Outro exemplo: eu trabalhei no Google com um engenheiro chamado Edgar Higgins. Ele era um fenômeno. O tempo passou e mantivemos contato por e-mail, sempre falando sobre nossos projetos. Em 2013, quando fundamos a Cambly, Higgins se empolgou muito com a idéia do negócio. Faz poucos meses que ele saiu do Google para vir trabalhar conosco.”

 

Fonte: PEGN – Pequenas Empresas & Grandes Negócios
Robson Viturino e Fabiana Pires – 10/03

 

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