Tribecca

Junho/Julho 2010

Grandes redes na mira do capital estrangeiro

Matéria reproduzida da Revista Franquia & Negócios - Edição 30

Por Gerson Genaro

O varejo brasileiro entrou na agenda de prioridades dos investidores. Segundo informa Luis Alberto de Paiva, presidente da Corporate Finance Investimentos e Participações, empresa especializada em assessorar empresas, existe uma bolada de US$ 2 bilhões para ingressar no Brasil neste ano no setor.

O principal motivo da forte demanda é o alto volume de consumo e a estabilidade na economia brasileira, acrescenta o consultor.

O franchising também irá se beneficiar com a maior propensão ao consumo. Estão previstos mais de 100 shopping centers para os próximos dois anos, o que vai gerar um aumento significativo de negócios no varejo, aponta Paiva, na entrevista a seguir.

F&N: Os fundos internacionais e investidores redescobriram o varejo brasileiro. Consegue dimensionar o volume de dinheiro que pode ingressar no franchising brasileiro neste ano e nos próximos 5 anos?
Luiz Alberto de Paiva:
O setor de varejo tem sido uma das vedetes para os investidores que procuram bons negócios. Redes de farmácias, restaurantes e de vestuários foram alvos recentes de fundos de investimento. Acredita-se que o setor deva alcançar investimentos de até U$ 2 bilhões em 2010. O principal motivo desta forte demanda é o alto volume de consumo e a estabilidade na economia brasileira. A renda disponível ajuda que as pessoas tenham maior propensão ao consumo. Único problema para a expansão da economia brasileira é a infraestrutura deficiente, mas o consumo está muito bem. Existem mais de 100 shopping centers em construção no Brasil, a serem inaugurados nos próximos dois anos, o que vai gerar um aumento significativo de negócios no varejo.

E a tendência para  os próximos anos?
O interesse vai continuar forte e crescente por parte dos investidores, porque o Brasil é visto como economia segura, rentável e com consumidores jovens. Enquanto observam crises constantes na Europa e Estados Unidos, temos crescimento acentuado no Brasil.

Para os próximos anos a tendência é aumentar o volume de dinheiro novo para o Brasil. Os investimentos feitos por fundos de investimentos (os private equity) e investidores institucionais (fundos de pensão) na compra de empresas brasileiras ultrapassaram U$ 30 bihões no ano passado, segundo dados do último censo divulgado pelo Centro de Estudos em Private Equity da Fundação Getúlio Vargas. O volume quintuplicou em apenas cinco anos, pois somavam apenas US$ 6 bilhões em 2004.

Mas nem tudo é seguro. Para quem quiser entrar no Brasil precisa avaliar com cuidado o mercado, o posicionamento das empresas, localização e, principalmente, a saúde financeira destas empresas, em aspectos econômicos, financeiros e contenciosos (fiscais, trabalhistas, dívidas)

Neste caso, como ganhar dinheiro com o negócio franquias? Quais setores oferecem maiores possibilidades de ganhos?
Iniciar um negócio é sempre bastante desafiador, principalmente quando a empresa não é conhecida pelo público e consumidores. Para superar a difícil fase de entrada no mercado, muitos investidores fazem opção pela franquia. Optar por uma franquia significa trabalhar com uma marca forte, receber orientação do franqueado e não ter que se preocupar com o desenvolvimento de fornecedores numa fase em que, às vezes, não se tem nem histórico cadastral.

No entanto, é muito importante que o investidor avalie detalhadamente as alternativas, não só pelos números apresentados pelo franqueador, mas também recorra a assessorias que possam dar um suporte adequado na avaliação econômico, financeira, contábil e até jurídica.  Não são poucos os casos de gente que efetua aquisição de franquias de grupos econômicos muito complicados.

O Grupo Corporate está sendo acionado pelos investidores para identificar empresas que tenham uma relação forte com o varejo. Em especial empresas no setor de bens de consumo, alimentação, verstuário e produtos voltados às classes C e D.

Entre as com bom potencial estão as franquias de higiene, beleza, cosméticos, vestuário e alimentação. São ótimas opções para quem deseja iniciar como franqueado.

E para as grandes redes brasileiras que desejam expandir no Exterior. Quais são os mercados mais atrativos ?
O Brasil tem levado suas marcas ao mercado internacional, em especial na América Latina e Ásia. A China tem sido uma excelente opção, principalmente nas áreas de alimentação e idiomas. A rede Wizard iniciou agora suas operações levando acesso ao idioma inglês e português. As redes KFC e Mc Donalds já contam com 2.000 e 1.000 lojas, respectivamente, e suas lojas estão sempre cheias. Atualmente, 600 mil pessoas de outros países visitam a China. Os restaurantes brasileiros com experiência internacional, como as churrascarias, que queiram se consolidar na China, encontrarão um mercado bem variado e receptivo.

Mas ingressar no mercado chinês não é fácil e o empresário deve sempre ser assessorado por gente que conhece todas as alternativas existentes. A boa notícia é que já existem estruturas comerciais para auxiliar as empresas brasileiras que pretendem ingressar na China, ou seja, para obterem diversas facilidades na hora de negociar sua entrada no mercado, desde o financiamento concedido por instituições financeiras oficiais, montagem de plantas industriais, infraestrutura, até assessoria econômica-financeira durante a implantação.

Antes de se lançar no mercado de franquias quais cuidados devem tomar os  donos das grandes marcas? É possível conhecer antes de formatar uma franquia o retorno esperado, lucratividade, faturamento etc?
O fato de uma marca ser forte não é uma garantia de sucesso quando franqueada. Énecessário criar condições para que o franqueado obtenha o retorno planejado. A primeira providência é na área de gestão empresarial, ter controles, planejamento, processos e estratégia.  A rentabilidade do franqueado não virá somente da escolha da marca, mas também da capacidade de gestão que ele tiver.

É muito importante que o empresário se prepare com maior padrão de exigência, combate às fraudes, às perdas e maior rigor fiscal. São extremamente importantes para o retorno do investimento e necessidade de liquidez no setor.

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O varejo brasileiro deve alcançar investimentos de até U$ 2 bilhões em 2010` - diz o presidente da Corporate Finance Investimentos e Participações.

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