ABF EXPOPor Claudio Tieghi
'É melhor ensinar a pescar do que dar o peixe'. O ditado é velho, mas traduz com precisão a nova consciência de quem pensa a responsabilidade social no Brasil. Grandes e pequenas empresas já perceberam que não basta dedicar esforços ao mero assistencialismo, esteja ele voltado a suprir necessidades imediatas ou a estratégias de marketing. Embora positiva, a doação de dinheiro, alimentos ou outros recursos materiais merece ser vista com cautela e utilizada apenas em situações emergenciais.
O fundamental é garantir aos cidadãos carentes uma oportunidade, e a geração de empregos é o principal caminho. Não há assistencialismo que resista a um cenário de pessoas sem ocupação ou perspectiva de enfrentar o presente para construir o futuro. Tal preocupação já rende iniciativas, dos setores público e privado, no sentido de ampliar ações sociais com a finalidade de gerar novas vagas de trabalho.
Uma das mais recentes é a Lei do Aprendiz (número 10.097/2000), regulamentada pelo presidente da República em dezembro de 2005. Trata-se de um mecanismo idealizado para facilitar o ingresso do jovem no mercado de trabalho, pressupondo capacitação técnica, formação profissional e desenvolvimento pessoal de quem tem entre 14 e 24 anos. O movimento, que já recebeu a adesão de muitas associações e empresas dispostas a estabelecer parcerias e ações conjuntas, desponta como o compromisso social para este ano.
Para aderir a causas sociais, o empresariado precisa levar a sério o conceito de responsabilidade social, que não se trata apenas de desenvolver projetos como estratégia publicitária ou instrumento para gerar mídia, mas sim de se comprometer com a sociedade. O marketing social pode ser uma conseqüência indireta, mas jamais deve ser finalidade, até porque o próprio consumidor já não vê com bons olhos as ações desenvolvidas apenas para melhorar a credibilidade de uma organização.
O objetivo é gerar empregos, mas tão importante quanto essa definição é a filosofia que alimenta o projeto, ligada à missão e aos valores da entidade benfeitora. Não se deve levar em conta apenas a visibilidade, mas o alcance solidário de qualquer atividade no Terceiro Setor.
Por fim, o planejamento estratégico. Como em qualquer iniciativa tomada no mundo corporativo, precisa haver uma gestão competente para o êxito da empreitada. O projeto social precisa estar conectado às práticas internas e externas, com programação e seqüência. Não basta somente promover cursos, oferecer vagas de estágio ou o primeiro emprego, é preciso investir na formação profissional e até mesmo em um plano de carreira para que o jovem consiga desenvolver seu potencial. Sem isso, não se chega a lugar algum.
Gerar empregos duradouros é o caminho para alcançarmos uma realidade mais digna. Um país justo não surgirá à base de assistencialismo; somente será possível quando as pessoas tiverem condições de buscar o próprio sustento e construir o próprio futuro.
Claudio Tieghi é diretor de relacionamento da AFRAS (Associação Franquia Solidária), entidade responsável por organizar, estimular e difundir práticas de responsabilidade social no franchising. E-mail: social@abf.com.br

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